Entre maternidade, saúde e redescobertas pessoais, Evelin compartilha os aprendizados
que a levaram a valorizar o autocuidado, a escuta do corpo e o respeito ao próprio tempo.




Pergunta 1 – Nos últimos anos, você viveu processos muito importantes relacionados ao planejamento familiar, como o congelamento de óvulos e, agora, o congelamento de embriões. Em que momento você percebeu que precisava olhar para a maternidade menos como uma pressão do tempo e mais como uma escolha consciente sobre o próprio futuro?
Evelin Camargo: sobre a minha decisão de congelar óvulos e congelar embrião eu acho que foi pra realmente me dar uma tranquilidade maior de poder planejar o futuro é com mais calma a gente tem uma pressão né biológica que a mulher precisa ser mãe e o tempo vai passando e a gente ainda não se enxerga nesse momento exato então eu acredito que ter esse tempo ter essa possibilidade de talvez fazer as coisas com mais calma me trouxe uma paz porque eu comecei a pensar no assunto com trinta anos e de repente eu já tô com trinta e cinco anos e essa decisão somada a uma questão de endometriose é de uma baixa reserva ovariana fez com que eu pudesse realmente parar refletir que naquele momento eu não ia conseguir é ser mãe mas que eu queria então que eu precisava me preparar pra isso.
Pergunta 2 – Ainda existe muita expectativa em torno da maternidade e do “momento certo” para viver isso. Como foi, emocionalmente, atravessar essas decisões de forma tão racional e ao mesmo tempo tão íntima?
Evelin Camargo: acho que apesar de ser uma decisão muito íntima é essa coisa do momento certo ela também é uma coisa é muito compartilhada porque eu recebo muitas é muitas histórias né de pessoas que seguem a gente que acompanham falando exatamente isso ainda não me sinto pronta ou também vou fazer um congelamento pra poder me preparar mais e acho que é realmente uma flexibilidade na escolha de entender qual é o seu momento acho que não existe um momento certo existe o momento de vida de cada pessoa eu por exemplo eu tinha uma carreira no CLT mais voltada pra minha outra formação de economista e agora eu fiz uma transição de carreira e tô mais focada na minha outra formação artística então ter essa essa liberdade eu acho que é uma coisa que ajuda a gente a ter um pouco mais de tranquilidade é e e pensar planejar com calma pra poder escolher qual qual é o momento qual o seu melhor momento porque com certeza não existe o momento certo existe o melhor momento de cada.
Pergunta 3 – Recentemente, você compartilhou publicamente o diagnóstico de um linfoma raro associado às próteses mamárias de silicone e passou pela retirada dos implantes. O que esse processo mudou na forma como você enxerga saúde, corpo e qualidade de vida hoje?
Evelin Camargo: e acho que uma e acho que uma coisa importante sobre o meu congelamento também foi esse momento que eu tô passando agora que no início do ano eu descobri um linfoma causado pelas próteses de silicone né que é o bialcl e imagina eu já estou com 35 anos eu acabei de passar por uma cirurgia super grande né da da do explante da retirada do linfoma é agora eu não conseguiria engravidar por exemplo porque eu ainda tô me recuperando da cirurgia então eu acho que tudo isso é o congelamento ajudou tudo isso né eu poder passar por esse momento de uma forma mais tranquila e também de me enxergar como como eu preciso estar bem pra cuidar de mim pra poder é continuar fazendo as coisas que eu amo a continuar planejando a minha vida é ter o linfoma e ser de uma coisa tão diferente que eu não imaginava que isso poderia acontecer foi uma coisa que mexeu comigo mexeu com com a forma como eu eu vejo a vida a forma como eu me planejo como eu cuido de mim então eu lembro que eu tinha acabado de fazer a a cirurgia e eu ainda tava naquela ai meu Deus quanta insegurança né é um novo formato de corpo numa parte estética mas é um novo formato de corpo numa parte emocional de como é que eu vou encarar é tudo que vem pela frente a partir de agora então com certeza mudou existia uma Evelin antes e existe uma Evelin agora.
Pergunta 4 – Existe uma relação muito forte entre imagem, feminilidade e corpo feminino, principalmente para mulheres expostas publicamente. Depois de tudo o que viveu, o que mais mudou na sua relação com autoestima e identidade fora dessas expectativas estéticas?
Evelin Camargo: a pressão estética ela sempre vai existir acho que principalmente pras mulheres eu sinto isso muito forte é mas depois do linfoma a gente passa a entender a estética de uma forma diferente então é é claro que existe uma questão da sua autoestima como é que você vai se olhar no espelho a partir de agora como é que você vai vai se entender nesse novo corpo eu sou uma pessoa que tinha feito a minha primeira cirurgia uma redução de mama com colocação de prótese então eu sempre tive bastante seio antes da cirurgia já era grande aí depois eu tirei aí coloquei uma prótese menor mas ainda era um volume grande e de repente eu tô me vendo com um corpo de um seio PP p no máximo que nunca tinha acontecido eu tô gostando mas é é o me redescobrir mas eu acho que além disso existe uma questão de da saúde sabe eu quero que o meu corpo seja um corpo saudável então a estética com certeza ela vem em segundo plano ela vem a gente se sentir bem com o nosso corpo internamente externamente é é é o mais valioso agora nesse momento sabe.
Pergunta 5 – Hoje, olhando para toda essa trajetória, entre planejamento familiar, mudanças no corpo e questões de saúde, o que você sente que aprendeu sobre escuta, limites e cuidado consigo mesma?
Evelin Camargo: eu acho que eu aprendi a me escutar mais sabe a gente vive naquela coisa do automático o tempo todo correndo atrás de alguma coisa e esquece que existe um corpo que precisa funcionar e até realmente entender que o autocuidado ele não é um luxo sabe ele é um item de necessidade básica a gente precisa cuidar da gente e também cuidar da gente pra poder cuidar do próximo acho que isso é muito importante a gente precisa ter ter uma uma força interna que precisa tá preparada sabe até pra pra cuidar das nossas relações pra pra forma como a gente vive com o outro é muito importante que a gente esteja bem.
Pergunta 6 – Se você pudesse deixar uma mensagem para mulheres que estão vivendo dúvidas sobre maternidade, mudanças no corpo ou decisões importantes relacionadas à própria saúde, qual seria?
Evelin Camargo: e se eu pudesse deixar um recado é seria pra pra gente ter um pouco mais de gentileza com a gente mesmo né a gente fica com aquela coisa de tentar agradar todo mundo mas o que que eu tô fazendo pra mim é é um dos meus maiores motivadores pra falar sobre a a doença publicamente foi pra conscientizar as pessoas a fazerem exames pra cuidar da sua saúde acho que isso é um ponto muito importante e também que cada um tem o seu tempo sabe cada um tem o seu tempo pra maternal cada um tem o seu tempo pra pra ter sucesso na vida profissional nas relações pra casar pra pra descobriu seu corpo então eu acho que isso é muito importante é cuidem de vocês mesmas estejam sempre atentas e atentos a a mudanças no corpo e respeitem o seu tempo acho que isso é muito muito muito importante no mundo que a gente vive hoje é isso obrigada gente um beijo.









