Bianca Rinaldi fala sobre saúde, consciência e o que mudou quando a perfeição deixou de ser prioridade

Da disciplina da ginástica olímpica aos anos de televisão, a atriz reflete sobre imagem, autocuidado, maturidade e os caminhos que a levaram a uma relação mais consciente consigo mesma.

Pergunta 1 – Antes da televisão, sua relação com o corpo já vinha do esporte e da ginástica olímpica, ainda muito cedo. Hoje, olhando para toda a sua trajetória, o que mais mudou na forma como você entende saúde, disciplina e qualidade de vida em comparação com a Bianca do início da carreira?

Resposta Bianca Rinaldi:
A minha relação com meu corpo, com aparência física, sempre foi uma relação muito saudável. É mesmo, no tempo do esporte, eu acho que o que mudou é isso, que, na época do esporte, você tem que ter, é uma disciplina que vai além. Eu sempre vivi muito essa disciplina, né? Da alimentação, do dormir cedo, é, da ginástica, do esforço físico. E eu gosto disso. Mas é claro que, hoje em dia, eu faço meditação transcendental. Eu acho que eu tô muito mais voltada pro interior do que pra parte externa, pro exterior. Eu acho que isso mudou. E não que eu não goste do exterior, que eu não cuido, eu cuido, mas em um outro ritmo, em um outro lugar, né? Sem eu ter que ser perfeita para ser uma atleta, para ter um corpo perfeito. Hoje eu já não tenho mais esse olhar, assim, da perfeição. Eu consigo ver os limites e que perfeição não existe.

Pergunta 2 – Existe uma pressão constante para que mulheres públicas pareçam sempre fortes, bonitas, produtivas e emocionalmente equilibradas. Em algum momento você sentiu que precisava corresponder a essa expectativa? Como construiu uma relação mais verdadeira com quem você é fora dessa imagem?

Resposta Bianca Rinaldi:
Sabe que, nesse ponto da imagem, né, essa construção da perfeição, sempre forte, sempre linda, sempre sorridente, sempre feliz, eu acho que, com a chegada das mídias sociais, neste sentido, eu acho que foi bom pra mim, porque quando você começa a ver esses filtros, quando você começa a ver as pessoas é buscando algo que não é seu, que não é a sua realidade, me assustou um pouco. Então, quando eu comecei, que eu colocava um filtro, aí não vou aparecer assim, aí não vou aparecer essa, aí põe, põe, põe cílios, aí né, e… é, acho que os cílios é, né, é algo que acho que é bonito, mas que dá um trabalho danado. Aí vem a unha postiça, todo mundo de unha, todo mundo de cílio, aí bota a boca, bota não sei o quê. Isso tudo foi me assustando muito.

E aí eu fiz o inverso. Eu comecei a fazer as coisas assim, sem filtro nenhum ou então passar uma maquiagenzinha que é o que eu tô aqui agora, uma maquiagenzinha básica e ficar assim, né, e dar de cara comigo como eu sou, né, de verdade. Eu sempre fui muito verdadeira nas mídias sociais, aonde eu aparecesse, nas entrevistas, TV. Eu sou isso que as pessoas veem, não tem diferença. E sou muito transparente. Então, se eu tô chateada, se eu tô com alguma coisa, quem tem um pouco de sensibilidade vai perceber. Eu sempre procurei muito a verdade, estar na verdade, ser verdadeira, porque eu acho que isso, isso é o que é, né, o artista. Eu gosto do artista nesse lugar, da verdade.

Pergunta 3 – Ao longo dos anos, você atravessou diferentes fases pessoais e profissionais enquanto mantinha uma carreira intensa e pública. O que a maturidade te ensinou sobre limites, autocuidado e a importância de desacelerar sem sentir culpa?

Resposta Bianca Rinaldi:
É, a minha carreira realmente foi num estalar de dedos, né? Tudo aconteceu muito rápido, muito intenso, muito bom. E que eu realmente vivi todas essas fases, desses momentos todos do meu lado profissional com muita intensidade, muito a fundo, né? Não deixei passar nada.

Agora, a maturidade, o que a maturidade me trouxe? Eu gosto, primeiro que eu gosto desse ritmo acelerado, eu gosto de me ver nesse lugar. Eu me sinto bem aí, sem ultrapassar limite nenhum, né? Do emocional e do físico. Então eu me sinto bem num ritmo acelerado de trabalho.

A maturidade me trouxe mais essa consciência, né? De saber lidar. Eu gosto disso, mas até onde eu vou, como eu vou. Então isso é importante, a gente ter a consciência e ter a liberdade de escolha, né?

Pergunta 4 – Você já comentou sobre a importância da meditação, da atividade física e do contato com a natureza para manter o equilíbrio emocional. Em uma rotina marcada por exposição e muitos anos de carreira, o que mais mudou na sua relação com saúde mental e bem-estar ao longo do tempo?

Resposta Bianca Rinaldi:
Eu acho que o que não mudou tanta coisa assim, não. Eu acho que o que mudou realmente é a maturidade. Com a maturidade, a gente tem muito mais consciência das coisas. A parte é mental. Eu acho que posso dizer que é o que mais mudou em relação né ao tempo, com a meditação transcendental, com mais consciência de você, contemplar aquilo que te faz bem.

A natureza é importante pra mim. Então, eu fiquei morando no Rio muitos anos e vi. Morar aqui em São Paulo, em Jundiaí, tenho ainda um contato com a natureza, mas não como eu tinha lá no Rio. E eu sinto que isso me faz falta. Então eu busco, sempre que eu posso, estar em contato maior com a natureza, que isso me faz bem. É pra alma, né, pro corpo, enfim, pra mente.

Então acho que é isso, assim é a consciência, é a maturidade de você escolher e saber aquilo que realmente te faz bem e o que não te faz bem e aí você escolher pra onde você quer ir, acho que é isso.

Pergunta 5 – Em um momento em que saúde muitas vezes é associada apenas à estética ou performance, o que hoje realmente faz você sentir que está vivendo uma vida saudável?

Resposta Bianca Rinaldi:
Ah, o que me faz é sentir que eu tô vivendo uma vida saudável, primeiro, alimentação. Eu acho que a alimentação, gente, é a base de tudo, né? Aquilo que a gente come, é beber água, né? Que tá na alimentação, o sono. É muito valioso pra mim poder descansar. Então, se eu não descanso direito, se eu acordo assim muito de madrugada, não durmo direito pelo menos seis, oito horas, né? É o ideal pra mim. Eu acordo cansada e aí o meu dia fica pesado, fica difícil.

Então, então é isso, acho que é base: é alimentação e o sono. E a gente valorizar, né, aquilo que tá a nossa volta, aquilo que é de bom, ser grato, agradecer todo dia.

Pergunta 6 – Se você pudesse deixar uma mensagem para mulheres que acompanham sua trajetória e sentem dificuldade em equilibrar carreira, saúde, autoestima e vida pessoal, qual seria?

Resposta Bianca Rinaldi:
O que eu poderia dizer é que, assim, a gente já tem tantas dificuldades no nosso dia a dia, né? A mulher, principalmente, aquela que trabalha fora, trabalha em casa. O trabalho de casa é muito mais puxado, muitas vezes, pelo menos eu sinto assim.

Então, com tantos cuidados que temos com os outros, a gente tem que ter o cuidado com a gente. E a mulher que faz tudo, muitas vezes ela esquece disso e acaba esquecendo de olhar pra si mesma.

Esse é um exercício diário que nós temos que fazer: olhar pra gente, sentir, ver qual é a nossa necessidade, o nosso merecimento, saber dizer não, deixar as coisas de lado e olhar pra você, pra ver o que te faz bem. Mesmo o que você faça pelo outro, tem que ver se isso te faz bem. Então, olhar sempre pra você primeiro.

Por mais difícil que seja, exercite isso todos os dias que você só vai ter benefícios.

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