Mileide Mihaile, entre o que se constrói e o que finalmente se permite ser

Existe uma diferença silenciosa entre mudar e se reconhecer. E talvez seja exatamente nesse espaço que Mileide Mihaile se encontra agora, não em uma ruptura com quem foi, mas em uma aproximação mais honesta de quem sempre esteve ali.

Depois do excesso, da exposição e da intensidade, o que fica não é vazio. É consciência.

O carnaval costuma ser um pico de intensidade, de energia e de exposição. Quando tudo passa, o que fica em você, mais silêncio, mais reflexão ou mais vontade de movimento?

“O carnaval é um turbilhão, né? É muita emoção, muita entrega e muita energia envolvida. Mas quando passa, eu sinto mais como um respiro mesmo. Aquele momento de parar e pensar ‘entreguei tudo que eu tinha ali’. Fica muito esse sentimento de orgulho, de dever cumprido, de olhar pra tudo que eu vivi e saber que dei o melhor que pude. Mas ao mesmo tempo, não é um parar total, porque os trabalhos continuam, os projetos seguem e a vida não desacelera completamente. Eu volto já conectada com o que vem pela frente.”

O que aparece não é uma pausa vazia, mas um tipo de descanso consciente. Ela não se retira da própria vida, apenas muda o ritmo com mais clareza.

Você sente que está vivendo uma nova versão de si mesma ou apenas acessando partes suas que sempre existiram, mas que agora ganharam mais espaço?

“Eu sinto que estou acessando partes minhas que sempre estiveram aqui, mas que hoje são muito fruto de tudo que eu venho trabalhando ao longo dos anos, tanto no pessoal quanto no profissional. Não foi algo que aconteceu de uma hora pra outra, foi um processo. Eu fui amadurecendo, aprendendo com os erros, com as fases difíceis, e isso foi me deixando mais segura, mais consciente de quem eu sou.”

“Eu aprendi muito ao longo do caminho e isso me deu mais liberdade pra viver sem filtro, sem trava e sem medo de ser quem eu sou de verdade. E é uma versão que eu gosto muito, porque eu me reconheço nela.”

Existe aqui uma maturidade que não se anuncia, mas se sustenta. Ela não se apresenta como alguém que mudou, mas como alguém que finalmente se permite ser.

Ser mãe atravessa todas as áreas da vida de forma muito única. Hoje, o que a maternidade te ensinou sobre você que nenhuma outra experiência teria conseguido ensinar?

“A maternidade me ensinou uma força que eu nem sabia que existia em mim. É um amor que muda tudo, que te faz enxergar a vida de outro jeito. Eu aprendi muito sobre responsabilidade, sobre cuidado, sobre priorizar o que realmente importa e sobre se doar completamente para outra pessoa.”

“E também aprendi que eu preciso estar bem pra poder cuidar do meu filho, então eu passei a olhar mais pra mim também, pra minha saúde, pra minha mente.”

A maternidade, no discurso dela, não aparece romantizada, mas também não é pesada. É transformadora, no sentido mais real, aquele que reorganiza prioridades sem precisar anunciar isso o tempo todo.

Estar em um novo relacionamento muda a forma como você se enxerga ou mais confirma quem você já se tornou? O que você percebe de diferente em você nesse momento?

“Hoje sinto que confirma muito mais quem eu já sou. Eu não dependo de um relacionamento pra me sentir completa. Eu já me conheço, sei o que eu quero e o que faz sentido pra mim. Então viver isso agora é muito mais leve.”

“É sobre somar, compartilhar, viver coisas boas juntos, sem perder minha essência. Eu me sinto mais tranquila e mais segura.”

O relacionamento deixa de ser centro e passa a ser extensão. Não sustenta a identidade, acompanha.

Olhando para esse novo ciclo que começa no seu aniversário, o que deixou de fazer sentido insistir e o que você quer proteger mais daqui pra frente?

“Eu acho que hoje não faz mais sentido insistir em coisas que tiram minha paz. Eu já vivi fases de me cobrar muito, de tentar dar conta de tudo, de querer agradar todo mundo e isso desgasta demais. Agora já escolho com mais consciência.”

“Quero proteger minha paz, minha energia, minha família, meu filho. Quero continuar vivendo de forma leve, no meu tempo, respeitando meus processos.”

Talvez o ponto mais forte não esteja no que ela quer conquistar, mas no que ela decidiu não sustentar mais.

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