Protagonista em duas produções da Netflix, André Lamoglia acelera ascensão no imaginário pop

Aos 29 anos, o ator carioca vive o encontro entre protagonismo, moda e projeção internacional, consolidando presença além das telas.

Há um tipo de reconhecimento que se estabelece antes mesmo de ser percebido. Não depende necessariamente de um novo personagem ou de uma estreia específica, mas da sensação de que determinado rosto passou a ocupar diferentes espaços do imaginário popular: das telas aos eventos, das capas às redes sociais, da atuação à moda. André Lamoglia vive justamente esse momento. Aos 29 anos, o ator carioca atravessa uma fase em que sua carreira já não cabe em uma única produção, e sua presença tampouco se limita à atuação.

A trajetória ajuda a explicar como chegou até aqui. Lamoglia começou ainda jovem, conquistando o papel central em produções como “Juacas”, do Disney Channel, e posteriormente já gravando em novos idiomas, como na produção argentina, “Bia”. A partir de 2022, quando entrou para o elenco de “Elite” como Iván Carvalho, sua imagem atravessou as fronteiras de maneira difinitiva. O personagem permaneceu na trama até a oitava e última temporada, encerrada em 2024, fazendo de André um dos brasileiros de maior projeção internacional entre os atores de sua geração.

Existe, aliás, uma particularidade importante: André fez quase o caminho inverso do esperado. Em vez de se tornar conhecido primeiro no mercado brasileiro para depois buscar espaço fora, construiu parte importante de sua popularidade internacional antes de voltar ao país em uma posição mais robusta. “Bia” levou-o a um público majoritariamente hispanohablante, “Elite” à Europa e “Sangue e Água”, filmada inteiramente em inglês, também da Netflix, à África do Sul. Só então veio “Os Donos do Jogo”, em 2025, marcando seu retorno ao audiovisual brasileiro em uma produção de grande alcance.

O personagem Profeta, que encabeça a trama, consolidou essa nova etapa, mas talvez tão significativo quanto, seja tudo que orbita ao redor do seu nome. Em maio, foi um dos apresentadores dos Prêmios Platino XCARET, no México, um palco que sintetiza bem esse trânsito entre Brasil e o restante do mercado ibero-americano. Em paralelo, a moda em sua caminhada não é apenas detalhe, não de hoje ele faz campanhas e os principais eventos de marcas como Bvlgari, Prada, Dolce&Gabbana, Lacoste, Sol de Janeiro, Fendi, Ralph Lauren, entre muitas outras, o circuito entre o audiovisual, as mais diferentes formas de fazer arte, o mercado publicitário e as redes sociais se conectam grande parte do tempo. Ao marcar presença sendo referência de estilo nas mais diversas ocasiões ligadas ao universo fashion e em alguns dos principais acontecimentos da cultura pop, sem qualquer extravagância sua presença passou a despertar tanta atenção quanto os trabalhos que o levaram até ali. Antes mesmo de “Os Donos do Jogo”, Lamoglia estampou capas de produções como Numéro Holanda Harper’s Bazaar Brasil e L’Officiel Áustria.

Não é por acaso, portanto, que volta e meia seu nome apareça nas redes sociais, especial o X, associado à ideia de ser um dos “queridinhos” das grandes marcas. A expressão, que pode parecer apenas mais uma categoria informal criada pela internet, revela algo maior: a capacidade de um artista de despertar interesse para além daquilo que faz diante das câmeras.

Mas existe uma diferença importante entre simplesmente vestir grifes e construir uma relação de identidade com a moda. Para André, o segundo caminho parece fazer mais sentido. “A moda sempre foi uma forma de expressão para mim”, afirma. “Poder explorar isso e, ao mesmo tempo, estar conectado com diferentes lugares, pessoas e culturas é muito especial”. Para ele, as fronteiras entre atuação, viagens, encontros e imagem pessoal são cada vez menos rígidas: “Acho que hoje tudo acaba se misturando um pouco: os personagens que faço, os lugares que conheço, as pessoas que encontro e a maneira como me visto. É um processo de descoberta constante”.

A lógica também ajuda a entender por que sua imagem não parece presa a um único código estético. Em vez de apontar um artista ou estilista específico como referência absoluta, André fala em uma espécie de repertório acumulado: “Gosto de acompanhar artistas, atores e estilistas, mas não sou muito de pensar ‘quero me vestir inspirado em tal pessoa’”, explica. “Às vezes, uma pessoa, um personagem ou até uma época de um filme fica na cabeça e, sem perceber, acaba aparecendo no que eu escolho vestir”.

A resposta diz bastante sobre a fase profissional em que ele se encontra. Depois de anos interpretando personagens que exigiam dele a capacidade de entrar em universos muito diferentes, André parece levar para a própria imagem a mesma disposição para experimentar. A moda, nesse sentido, passou a funcionar quase como uma extensão do ofício de ator; não para criar uma persona artificial, mas para testar possibilidades.

Precisa ter verdade, que eu me sinta na própria pele”, ele resume, quando questionado sobre o que um look precisa ter para realmente traduzir quem é hoje. “Eu gosto também de me ver de maneiras diferentes, me coloco à disposição disso com gosto, não tenho pretensão de ficar preso a uma única imagem, pelo contrário. É completamente possível ter personalidade e manter a essência sem se colocar imutável ou estático. Acho que isso também vem muito de ser ator: você passa a vida entrando em universos e personagens diferentes, e eu gosto de levar um pouco dessa liberdade para a minha vida. Hoje, me sinto mais confortável em arriscar, misturar referências e não necessariamente seguir o que está sendo considerado certo ou tendência. No fim, se eu olho no espelho e sinto que aquilo tem a ver comigo naquele momento, é o que importa”, conclui André.

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