Em um momento em que o turismo de luxo passa por uma transformação global, o conceito de exclusividade parece ter ganhado novos significados.
Mais do que hotéis impecáveis ou destinos remotos, os viajantes de alto padrão agora buscam experiências que despertem emoções, criem conexões genuínas e reflitam seus interesses pessoais.
Essa é a visão de Jack Ezon, fundador da Embark Beyond, uma das empresas mais influentes do turismo de luxo internacional atualmente, que esteve no Rio de Janeiro para o Embark Immersion, encontro que reuniu grandes nomes da hospitalidade e parceiros globais do setor.
Em entrevista à InVoga, Jack compartilhou sua leitura sobre os novos comportamentos do viajante contemporâneo, os destinos que despontam no radar global e o potencial do Brasil como referência no turismo de experiência.
O fim da “bucket list” tradicional
Para Jack, a ideia clássica de viajar apenas para “conhecer um lugar” já não sustenta mais o desejo do viajante sofisticado.
“O conceito de bucket list mudou completamente. Hoje, as pessoas raramente viajam apenas para ver algo. Elas querem sentir algo, viver algo ou desenvolver uma paixão”, explica.
Segundo ele, cresce globalmente o chamado Passion Driven Travel, viagens guiadas por interesses específicos, como gastronomia, arte, bem-estar, esportes, pintura, beleza ou hobbies. Nesse cenário, o destino deixa de ser o protagonista e passa a funcionar como pano de fundo para experiências mais pessoais.
“O destino se torna apenas a paleta para ativar uma paixão ou um desejo daquele viajante.”
“As pessoas querem conexão”
Ao contrário do discurso cada vez mais frequente sobre “viagens transformadoras”, Jack faz uma provocação interessante: nem toda viagem precisa mudar a vida de alguém.
“Eu acho que esse conceito de viagem transformadora virou muito mais um discurso bonito de marketing”, comenta.
Para ele, o movimento mais real e perceptível hoje é outro: a busca por conexão.
“As pessoas estão solitárias. Elas querem conexão, afeto e experiências compartilhadas. Viajar hoje significa se conectar com quem está ao seu lado, consigo mesmo ou com o lugar que está visitando.”
Esse comportamento também impulsionou um crescimento expressivo das chamadas affinity trips, que são as viagens entre pequenos grupos de amigos com interesses em comum, mesmo sem laços familiares.
Os destinos que estão surpreendendo o mercado de luxo
Entre os destinos que mais têm chamado atenção desse público global, Jack destaca a Eslovênia, especialmente pelo turismo de aventura e natureza, além de Milão, apontada por ele como a cidade com crescimento mais acelerado para negócios na Europa atualmente.
Outro destaque continua sendo a Antártica, que segue registrando crescimento de dois dígitos entre viajantes de luxo em busca de experiências mais exclusivas e remotas.
Já quando o assunto é o futuro das viagens de experiência, três destinos lideram sua lista:
Arábia Saudita, África do Sul e Galápagos.
O potencial do Brasil no turismo de luxo
Jack acredita que o Brasil tem, sim, potencial para se tornar um dos destinos mais desejados do turismo de luxo global e afirma que o país já está caminhando nessa direção.
“Existe uma energia única no Brasil. A paixão pelas pessoas, a alegria, a hospitalidade e essa vontade de viver são realmente marcantes.”
Para ele, o lifestyle brasileiro é um dos ativos mais valiosos do país para esse mercado.
Ao mesmo tempo, ele acredita que alguns pontos ainda precisam evoluir para que o Brasil alcance um posicionamento mais forte internacionalmente.
“As pessoas não querem enfrentar deslocamentos longos, muitas conexões ou depender sempre de voos charter para chegar aos lugares incríveis que o Brasil oferece.”
Ainda assim, Jack vê o país vivendo um momento promissor, especialmente em um cenário onde autenticidade, natureza, cultura e experiências emocionais se tornaram o verdadeiro novo luxo.









