Depois de atravessar um período de depressão silenciosa, perda de autoestima e desconexão consigo mesmo, Lucas Malvacini encontrou na disciplina e nos hábitos uma forma de reconstruir a própria vida.




Em entrevista exclusiva à INVOGA Saúde, ele fala sobre wellness, performance, espiritualidade e ciência, além da relação com o corpo e sobre como uma rotina pode deixar de ser cobrança para se tornar um caminho de liberdade, saúde e presença.
Invoga – Você construiu uma carreira sólida como ator e modelo e, em algum momento, escolheu um caminho completamente diferente. O que aconteceu internamente antes dessa virada?
Lucas Malvacini: Durante muitos anos, minha vida foi muito guiada pela imagem. Sou muito grato por tudo o que vivi nesse período, mas, internamente, eu sentia que faltava profundidade. Entre 2022 e 2023, cheguei ao momento mais difícil da minha vida, estava 10 quilos acima do meu peso, vivendo um processo depressivo silencioso, sem autoestima e completamente desconectado de quem eu era. Foi quando entendi que precisava parar de buscar respostas do lado de fora e começar a reconstruir minha vida a partir de dentro. A disciplina deixou de ser uma obrigação e passou a ser um caminho de liberdade. Aos poucos, fui reorganizando minha rotina, mudando hábitos e recuperando minha saúde física, mental e emocional. O wellness entrou primeiro como uma necessidade pessoal, mas acabou se tornando um propósito. Hoje eu vejo que não abandonei uma carreira para começar outra. Eu apenas parei de viver da minha imagem e comecei a construir uma vida com mais propósito.
Invoga – A Rotina dos Lanús nasce de uma reconstrução pessoal. Qual foi o momento mais difícil desse processo e o que te fez continuar?
Lucas Malvacini: Disciplina, assim como qualquer outra habilidade da nossa vida, é uma virtude que a gente treina. A gente não nasce disciplinado. Em algumas circunstâncias da vida, a gente aprende ter disciplina. Seja essa circunstância ruim ou boa, a disciplina ela é treinável. Bom, normalmente, quando a gente é visitado por uma fase difícil ou quando a gente quer dar um passo adiante em busca de algum objetivo, a gente começa a gerenciar melhor o nosso tempo e a desenvolver a nossa disciplina. Quando a gente tem essas duas coisas equilibradas, a gente começa a ter constância. Eu tenho seis hábitos que são a metodologia da rotina do Lanús, mas eu não comecei fazendo seis hábitos todos os dias. Eu comecei pelo primeiro. Por aquele que eu tinha mais facilidade. No caso, era leitura. A leitura sempre foi, fez parte da minha rotina, então, nesse momento, naquele momento, no caso, eu falei: bom, eu sei que esses hábitos eles são muito legais e que eles me colocam em outra esfera. Então, eu vou tentar reproduzi-los. Começar todos de uma vez é um tiro no pé. Era sinal, era sinal, um atestado de que eu iria falhar muito em breve. Agora, começar pelo primeiro hábito é muito mais inteligente e interessante. Nesse momento, a gente começa a treinar o nosso cérebro para gerenciar melhor as nossas tarefas. O gerenciamento melhor das nossas tarefas traz um gerenciamento melhor do nosso tempo. Consequentemente, com mais com gerenciamento melhor do nosso tempo, a gente começa a entender melhor o poder da disciplina. E aí é uma bola de neve pro positivo. Beleza? Portanto, comece pelo primeiro.
Invoga – Você transita entre ciência, espiritualidade e performance. Muitas vezes, esses três parece não conversar. Como você equilibra pra não cair em extremos?
Lucas Malvacini: Bom, primeiro, a gente precisa entender que, em alguns momentos da nossa vida, ser extremista não é algo negativo. Principalmente quando a gente tem alguma meta ou algum objetivo. Nesse momento, o extremo, ele é nosso aliado. A gente precisa ter um desequilíbrio pra conseguir avançar, pra conseguir obter algum sucesso, pra conseguir alcançar essa meta. Quando a gente fala de espiritualidade e ciência, cada vez mais a gente tem percebido a aproximação desses dois universos, vamos dizer assim. E a rotina que eu proponho, ela é respaldada pela ciência, porque todos esses hábitos são comprovados cientificamente que trazem benefícios pra nossa saúde. E também existe um lado espiritual por trás disso tudo, principalmente quando a gente fala das sete leis universais, das sete leis de tot de Hermes Trismegisto, leis, por exemplo, que dizem sobre correspondência, sobre vibração e sobre mentalidade. Então, em algum momento, parece que são universos distintos, mas quando a gente começa a pesquisar um pouco, aprofundar um pouco mais essa nessa pesquisa, a gente vê que eles começam a se conectar, né? Performance tem muito a ver com disciplina. E quase todos os grandes nomes que eu estudo na minha vida, eles têm algo em comum: eles são extremamente disciplinados. Olha a palavra extrema aparecendo de uma forma interessante aí. Então, parece que são distintos, mas eles são muito mais é conectados do que a gente pode imaginar.
Invoga – O wellness virou tendência e, com isso, virou também mercado. Como você distingue o que é transformação real do que é estética de bem-estar?
Lucas Malvacini: O wellness realmente é um mercado trilionário. A tendência, até 2030, ele atingir mais de cinco trilhões de dólares movimentados aí, globalmente falando. O Brasil hoje tem a, tem a possibilidade de assumir a liderança deste mercado, a nível global, mas, sobretudo, aqui na América. Então, a gente hoje tá literalmente nessa onda, nesse hype do que é o wellness, né? Grande parte dos influenciadores comunicando wellness, falando de wellness. E aí tem essa diferença de estética, de bem-estar, de transformação real. Quando a gente fala estética de bem-estar, o nome, ela é bem categórico. É aquilo que nos promove o bem-estar, né? Aquilo que traz conforto, aquilo que traz leveza pra nossa vida, pra nossa rotina. Isso pode tá associado a uma série de práticas. Pode ser desde um yoga a um sound healing, a uma meditação, a uma viagem, por exemplo, pra você descansar, dormir melhor. O turismo do sono tem muita, tem muita associação com, com o elnes, né? Agora, quando fala de transformação real, eu gosto de dizer que tem mais a ver com alta performance. E alta performance muitas vezes não tá associada ao conforto. Ela tá desassociada, ela tá em caminho oposto. Alta performance, transformação real, ela tem a ver com o desconforto. Ela tira a gente da nossa zona de conforto. Ela faz a gente evoluir na marra, vamos dizer assim. A base da disciplina é fazer aquilo que você não tá afim de fazer, mas que você sabe que vai te trazer um benefício. Por exemplo, eu não fico satisfeito, né? Eu tô aqui nesse lugar maravilhoso, tava fazendo oito graus hoje de manhã, e eu fui tomar minha ducha fria às sete da manhã, num frio danado. Então, não é algo que é bem-estar, vamos dizer assim. Não tava prazeroso de entrar nessa ducha fria, né? Mas eu sei que isso vai me trazer, obviamente, depois desse desconforto momentâneo, vai me trazer uma sensação de bem-estar duradoura, né? Que é a chuva de dopamina entrando na sua corrente sanguínea através do choque térmico, que dá mais de quatro, cinco horas aí de foco, hiperfoco, atenção e uma sensação muito gostosa de bem-estar. Então, quando a gente fala de transformação real, a gente tá falando de performance, e performance não tá muito conectada com conforto. Beleza? Eu acho que ficou claro aí.
Invoga – Existe algum dos seus seis pilares que você ainda luta pra manter com consistência no dia a dia?
Lucas Malvacini: Hoje, o maior desafio não é o jejum alimentar. É o jejum de estímulos. A gente vive cercado por notificações, redes sociais, notícias e informação o tempo inteiro. Ficar alguns minutos longe do celular, em silêncio, acaba sendo mais difícil do que deixar de comer por algumas horas. Eu tento proteger esses momentos porque percebi que, quando diminuo o ruído, penso melhor, tomo decisões com mais clareza e volto a conduzir o meu dia, em vez de apenas reagir ao que acontece.
Invoga – O que mudou na sua relação com o próprio corpo depois dessa transformação?
Lucas Malvacini: Antes eu enxergava meu corpo muito mais como uma ferramenta estética, até pela minha profissão. Hoje ele representa saúde, liberdade e presença. Parei de treinar apenas para ter um resultado visual e passei a cuidar do corpo porque ele sustenta tudo o que eu quero viver. Quando você dorme melhor, se alimenta bem, se movimenta, respira com consciência e respeita seu corpo, você ganha energia para trabalhar, para estar presente nos relacionamentos e para aproveitar a vida.
Isso é saúde de verdade! É um lembrete que bem-estar é uma prática diária
Invoga – O que significa pra você estar bem de verdade, além da rotina e dos hábitos?
Lucas Malvacini: Estar bem não significa estar feliz o tempo todo. Significa ter um corpo e uma mente preparados para enfrentar os dias difíceis. Os hábitos não existem para eliminar os problemas, eles existem para que os problemas deixem de controlar você. Para mim, bem-estar é acordar sabendo que estou vivendo de acordo com aquilo em que acredito. É ter disciplina para cuidar da saúde, energia para estar presente com quem eu amo e clareza para tomar boas decisões. A rotina não é o objetivo. Ela é o caminho para viver uma vida com mais liberdade e presença
Invoga – Se você pudesse deixar uma mensagem para quem está no começo de uma transformação e ainda não acredita que vai conseguir, o que você diria?
Lucas Malvacini: Bom, primeiro, quero dizer que eu já estive nesse lugar. É um lugar de extremo desconforto, é um lugar de extrema dúvida, incerteza, insegurança. É um lugar que testa tudo que a gente construiu até então e que faz a gente duvidar, inclusive, da nossa capacidade. Mas eu digo pra você que é um baita privilégio estar nesse lugar e visitar esse lugar, porque é exatamente nesse momento que a gente consegue ter um contato profundo, sincero e genuíno com nós mesmos. E, nesse momento, existe uma vozinha que diz: nós precisamos mudar, a gente precisa fazer alguma coisa. E eu acredito em você. É a partir disso que a gente começa literalmente a nossa trajetória, a nossa transformação interna. E as transformações que vêm de dentro, elas têm um poder, uma potência que a gente só acredita quando a gente vê as coisas literalmente acontecendo. E lá atrás, quando a gente não acreditava, e aqui na frente, quando a gente vê que foi possível, que a gente realizou, que a gente se dá conta do quão poderoso é esse processo.









