Atriz fala sobre o retorno das cores vibrantes, a evolução do próprio estilo e a fase em que moda e direção criativa caminham lado a lado
Setembro é o mês em que a moda dita o ritmo do calendário global. Enquanto Nova York, Londres, Milão e Paris apresentam as coleções Spring/Summer 2027, a temporada amplia o olhar sobre nomes cuja relação com o estilo vai além das passarelas. Isabella Santoni faz parte desse movimento. Fashionista, a atriz frequentemente vê seus looks repercutirem nas redes sociais e consolidou uma imagem que transita não apenas no audiovisual, mas entre editoriais, campanhas e eventos do mercado de luxo.
Essa familiaridade com o universo fashioncomeçou antes mesmo da televisão. Ainda adolescente, Isabella trabalhou como modelo para financiar os estudos de teatro, experiência que ajudou a formar um repertório visual que hoje se reflete em uma assinatura versátil que vai desde alfaiataria leve, linho, vestidos fluidos e referências praianas até couro e uma pegada rocker. Com o passar dos anos, o olhar para a moda passou a caminhar lado a lado com sua própria trajetória criativa.


Essa evolução também acompanha uma fase de expansão profissional. Depois de encerrar as temporadas dos espetáculos “O Cravo e a Rosa” e “Baixa Sociedade”, e hoje em nas plataformas com produções como “Dom” (Prime Video) e “A Divisão” (Globoplay), Isabella estendeu sua atuação também para os bastidores do audiovisual, tendo criado a produtora Arkt FIlms e dirigido recentemente o curta “Concertamos Tudo”, grafado errado propositalmente.
É justamente nesse contexto que a atriz encara o Fashion Month não apenas como espectadora, mas como alguém que acompanha as transformações da indústria de perto. Na conversa a seguir, Santoni comenta a expectativa pelo retorno das cores vibrantes e do maximalismo nas passarelas, explica como passou a enxergar a moda como uma forma de comunicação e revela quais tendências que um dia jurou nunca usar acabaram encontrando espaço definitivo em seu estilo. Confira!


1. Com a chegada de uma nova temporada de Fashion Weeks, o que você espera ver nas passarelas desta vez? Tem alguma estética, movimento ou direção criativa que esteja especialmente curiosa para acompanhar?
Estou curiosa principalmente para acompanhar essa volta de uma paleta mais viva! Eu sou adepta das cores vibrantes e, depois de algumas temporadas muito marcadas por tons neutros e por uma estética mais contida, tenho percebido uma retomada do maximalismo, com misturas menos óbvias e uma moda mais expressiva. Ao mesmo tempo, gosto quando essa cor vem acompanhada de uma construção mais sofisticada, seja no corte, na textura ou nas proporções. Acho que minha curiosidade vem justamente desse equilíbrio: peças que ainda tenham certa simplicidade, mas com algum elemento inesperado que dê personalidade. Para mim, é muito mais interessante quando uma tendência abre novas possibilidades de expressão do que quando simplesmente dita uma fórmula.
2. Sua relação com a moda mudou ao longo dos anos? O que a Isabella de hoje entende sobre estilo e imagem que talvez ainda não estivesse tão claro para você no início da carreira?
Mudou bastante. No começo da carreira, eu ainda não entendia a moda como uma expressão de identidade. Existia muito essa vontade de descobrir o que funcionava, experimentar e entender também quem eu era dentro de tudo aquilo. Hoje eu tenho muito mais clareza de que estilo não é sobre vestir tudo o que está acontecendo, mas sobre saber escolher o que faz sentido para você. Também passei a entender a imagem como uma extensão da comunicação. Como atriz, eu trabalho o tempo inteiro construindo personagens, então talvez tenha ficado ainda mais consciente de como roupa, cabelo, postura, tudo comunica antes mesmo de você falar. Hoje eu tenho mais clareza sobre quem eu sou e sobre o impacto das minhas escolhas na imagem que eu construo. Há pouco tempo, fui a um evento e fiquei muito em dúvida entre dois looks: um representava exatamente a imagem que eu queria transmitir, e o outro eu simplesmente amei, mas sabia que era uma escolha mais duvidosa. Sabe aquele look que, no fundo, você já imagina que daqui a algum tempo nem você mesma vai gostar? Eu sabia que podia me arrepender e, ainda assim, escolhi usar, mas fiz isso com consciência. Acho que essa é a diferença. Antigamente, talvez eu nem pensasse no impacto daquela escolha. Hoje eu penso, entendo o que ela comunica e, às vezes, escolho fazer mesmo assim.
3. O que a moda te ensinou ou te fez descobrir sobre você mesma recentemente? Existe alguma tendência, peça ou referência que tenha despertado uma vontade nova de experimentar e sair um pouco do lugar-comum?
A moda tem me lembrado muito sobre uma frase: “cuspi pra cima e caiu na testa”. Inclusive, já brinquei com isso algumas vezes no meu Instagram, porque a moda é muito sobre se permitir mudar de ideia. Tem coisas que, em determinado momento, você olha e pensa: “isso eu nunca usaria”. Às vezes até julga um pouco. E, de repente, algum tempo depois, você encontra uma nova forma de enxergar aquela peça e percebe que ela pode fazer sentido para você. Aconteceu comigo com sapatilhas, calças capri, peças assimétricas e, mais recentemente, com peças que têm uma referência de lingerie, rendas e transparências. São elementos que talvez eu não me imaginasse usando, e hoje fazem parte do meu estilo, aumentando meu repertório. Isso é o mais interessante na moda: ela te dá a possibilidade de rever certezas. Não é sobre vestir algo só porque virou tendência, mas sobre permitir que uma tendência te apresente uma versão sua que você ainda não conhecia.



Crédito: Thales Côrtes







