Rita Silva: “Um consumidor bem informado vai ser um consumidor mais leal”

Diretora interina de comunicações científicas globais e engajamento de marca da The Ordinary fala sobre os ativos favoritos do brasileiro, erros comuns no uso de ácidos e o futuro do skincare

Ácido glicólico, niacinamida, ácido salicílico, ácido hialurônico e solução de cafeína estão entre os produtos favoritos dos consumidores brasileiros. Para Rita Silva, esse conjunto revela mais do que preferência de compra, revela características específicas da pele local. “Revela que os brasileiros têm muito bom gosto, esses produtos são dos que mais vendem em todo o mundo”, diz. “Mas, quando olhamos para a niacinamida, temos uma pele mais oleosa devido a um clima mais quente e mais umidade, que requer essa redução da oleosidade. Com o ácido hialurônico e a própria niacinamida, temos uma necessidade de hidratação, uma necessidade de redução dos poros.” 

O erro de começar por tudo ao mesmo tempo

Um dos equívocos mais frequentes entre quem começa a usar ativos por conta própria, segundo Rita, é a pressa. “Um dos erros mais comuns é começar com todos os produtos de uma só vez e combinar vários ativos sem ver se eles realmente deveriam ser usados juntos”, explica. A recomendação da marca passa por um teste simples antes de qualquer novidade entrar na rotina.

“Nós sempre recomendamos fazer o que chamamos de patch test, que é testar o produto na pele, por vezes na parte de dentro do braço, e deixar só um pouquinho do produto, esperar entre vinte e quatro e quarenta e oito horas e ver se a pele tem alguma reação”, conta. “Podem adicionar um produto, esperar talvez uma semana, adicionar outro, e assim saberão se algum produto não funciona para a sua pele.”

Ácido de noite, protetor de dia

Em um país tropical, o protetor solar é inegociável, especialmente para quem usa ácidos na rotina. Rita explica por quê. “Quando usamos ácidos que esfoliam a pele, estamos removendo uma parte da barreira cutânea, deixando as partes mais profundas e mais jovens mais expostas à radiação solar”, diz. A solução, segundo ela, está na ordem certa dos cuidados.

“Usar os ácidos de noite, antes de dormir, e depois, na manhã, usar a proteção solar é muito importante”

A revolução que começou no rótulo

A The Ordinary ficou conhecida por colocar o nome e a concentração do principal ingrediente diretamente no rótulo, como no caso da niacinamida. Para Rita, essa escolha tinha um objetivo claro desde o início. “Nós queríamos um pouco de uma revolução, era essa a ideia. Queríamos educar o consumidor, para que ele soubesse qual o ingrediente que quer pedir, o ingrediente que quer ver no produto para dar o benefício que quer, e também a que porcentagem esse ingrediente precisa estar”, afirma.

“Acreditamos que um consumidor bem informado vai ser um consumidor mais leal, um consumidor que vai voltar a comprar o produto, porque comprou o produto que é certo para a sua pele”, completa.

O que vem depois dos ácidos

Questionada sobre o que deve dominar o skincare nos próximos anos, Rita aponta para uma aproximação cada vez maior entre consultório e prateleira. “Um grande tema que temos agora é o crescimento na popularidade dos tratamentos em clínica. Já vemos muitos ingredientes que são inspirados por esses tratamentos”, diz.

Entre os lançamentos que seguem essa lógica está o Lacto-PDRN Eye Cream, previsto para outubro. “Este produto tem o PDRN, que é um ingrediente que nasceu em clínica. Apesar de o ingrediente original ser derivado de salmão, o nosso é completamente vegano, derivado de biotecnologia, produzido pela fermentação bacteriana”, explica. “O que queremos fazer com este produto é melhorar os sinais de idade, usando o PDRN e ácido fólico, e ao mesmo tempo dando um efeito instantâneo com um filme que se forma na área do olho.”

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