Apresentadora e modelo fala sobre ansiedade, síndrome do pânico e o processo de ressignificar a culpa materna durante o Setembro Amarelo

Mãe de Lorena, de três anos, Renata Kuerten viveu um dos períodos mais intensos da vida logo após o parto. Precisou retomar a rotina profissional apenas três meses depois do nascimento da filha, conciliando maternidade com uma carreira marcada por viagens e compromissos. Nesse processo, enfrentou ansiedade, medo, culpa, crises de pânico e síndrome do pânico.
“A chegada da Lorena trouxe uma felicidade enorme, mas também muitas mudanças e cobranças. Voltei ao trabalho poucos meses depois do nascimento dela e precisei lidar com a culpa, a saudade, as dificuldades com a amamentação e, nesse processo, enfrentei crises de ansiedade e síndrome do pânico”, conta. “Foi um momento em que entendi que não precisava dar conta de tudo sozinha. Buscar ajuda, falar sobre o que estava sentindo e contar com uma rede de apoio foram fundamentais.”

Não romantizar para poder falar
A experiência fez Renata entender que cuidar da saúde mental precisa estar entre as prioridades da mulher também durante a maternidade. Terapia, apoio da família e estrutura profissional foram fundamentais para atravessar o período e compreender que pedir ajuda não diminui força nem capacidade.
“Para mim, não romantizar a maternidade significa ter liberdade para falar sobre os desafios sem diminuir o quanto ela é transformadora e maravilhosa. Existe uma ideia de que a mãe precisa dar conta de tudo, estar sempre feliz e colocar as próprias necessidades em segundo plano, e eu não acredito nisso”, afirma.
Ressignificar a culpa
Reconhecer os próprios limites foi essencial para Renata repensar a culpa materna. Com o tempo, entendeu que estar presente para a filha não significa abrir mão de todas as outras áreas da vida, mas encontrar um equilíbrio possível.
“Estar presente não significa estar o tempo todo ao lado da minha filha, mas estar inteira nos momentos que temos juntas”
“Hoje vivo a maternidade com mais leveza, sem abrir mão da minha profissão e, principalmente, do cuidado comigo mesma”, diz.
Uma versão mais afetuosa
A maternidade também mudou a forma como Renata lida com os próprios sentimentos. Segundo ela, Lorena despertou uma versão mais aberta, fazendo com que passasse a verbalizar emoções que antes guardava para si. “A Lorena me ensinou muito sobre o amor e sobre demonstrar os meus sentimentos. Dizer eu te amo passou a fazer parte da minha rotina, algo que eu não tinha o costume de fazer e que também não aprendi na minha infância”, conta. “Ela despertou em mim uma versão mais leve, mais afetuosa e muito mais consciente do que realmente importa na vida.”
Uma maternidade real, não perfeita
Ao compartilhar a própria experiência durante o Setembro Amarelo, Renata busca reforçar que saúde mental também é questão de autocuidado dentro da maternidade. Reconhecer que não está bem, conversar sobre o que sente e aceitar ajuda são, para ela, atitudes essenciais para construir uma relação mais saudável consigo mesma e com os filhos.
“Não existe uma maternidade perfeita, mas existe uma maternidade real, com desafios, aprendizados, amor e muitas descobertas. Todos os dias eu aprendo alguma coisa com a Lorena. Uma das coisas mais importantes que aprendi foi que cuidar de mim também faz parte de cuidar dela”, finaliza.







