Dia dos Pais | Paternidade, amor e família
01. A Mia chegou e mudou tudo. O que a paternidade te ensinou sobre você mesmo que nenhuma outra experiência tinha te ensinado antes?
Lucas Rangel: Nossa, são tantas coisas que assim, pra começar, eu acho que a paternidade me ensinou a ter mais responsabilidade do que eu já tinha. Eu acho que quando a gente faz ali 18 anos, ou sai da casa dos pais, ou dirige, ou enfim, ganha o próprio dinheiro, a gente começa a ter responsabilidade. Depois que a gente casa, a gente começa a ter responsabilidade como casal. Mas depois de filho, a gente passa a ter responsabilidade como família. Então parece que tudo você volta e pensa na existência dela, no cuidado, na precaução. Então eu acho que, sinceramente, tudo mudou. Tudo. Hoje a gente tem outra visão de vida, de decisões, porque a gente sempre pensa nela em primeiro lugar. Então acho que me ensinou a ser ainda mais… A palavra nem é empatia, mas eu acho que você se coloca muito mais no lugar do outro. E o outro é seu filho. Nem é o outro uma pessoa X. É o bem mais precioso para você. Então você aprende a renegar muitas coisas. Não sei a palavra certa, renegar? Mas você abre mão de muitas coisas por conta dela.
02. Vocês dois se tornaram pais ao mesmo tempo. Como é construir essa dinâmica de dividir os papéis entre os dois dentro de casa?
Lucas Rangel: Isso pra gente, desde o começo, ficou muito claro, sabia? E chega a ser engraçado porque foi natural. Só aconteceu. Então… A gente nunca definiu os papéis, mas eu acho que já na gestação a gente sabia quais papéis cada um ia ter, porque são os papéis que a gente tinha ativamente quanto casal dentro do relacionamento a dois e a gente só continuou praticando esse papel na chegada de um bebê. Então assim, a gente talvez foi refinando uma coisa ou outra, mas de modo geral não foi um grande desafio a gente chegar na conclusão do que cada um ia fazer.
03. O que te surpreendeu na paternidade, algo que você não esperava sentir ou viver?
Lucas Rangel: Acho que muitas coisas me surpreenderam. Eu acho que a primeira coisa foi a privação de sono. Você não poder dormir da forma que dormia antes, porque o bebê acorda de madrugada, porque ele dorme em horários picados, depois ele dorme em horários diferentes do seu. Isso acaba com a sanidade do ser humano. Você ser privado de dormir… Da forma que dormia acaba com a mente. Então foi uma coisa que a gente foi se adaptando. Hoje ela já está numa rotina bem melhor de sono, nós já nos adaptamos à rotina dela, mas nos primeiros dois meses ali isso foi um grande desafio. Você fica muito estressado, tudo muito à flor da pele, você também está aprendendo a ser pai. Então eu acho que são coisas conflitantes que vão se encaixando.Mas eu acho que tudo é tão bonito na natureza de Deus, assim, na beleza da vida, que tudo você tem que passar pra você tá pronto pra próxima fase, sabe? Então pra mim, acho que o que mais me surpreendeu foi isso. Eu sabia que isso iria acontecer, mas eu não imaginava como era sentir na pele essa privação de sono.
04. Como é conciliar uma vida pública e intensa nas redes com esse novo momento de família?
Lucas Rangel: Então, eu estou nas redes, vai fazer 14 anos no final desse ano. Me dá até desespero, porque eu me sinto muito velho quando eu penso nisso. Mas, tempo, eu fico feliz que, desde novo, eu aceitei na profissão que eu amo. Mas, para mim, e acho que para o Bley também, porque o Bley trabalha com isso pelo menos há cinco anos, tudo isso foi de forma muito natural, sabe? Eu tenho a vida pública há 14 anos, praticamente. E, com isso, não tem muito… Segredo mesmo em torno de a gente compartilhar a vida. Claro que ao longo da vida e eu sigo com isso, muitas coisas eu permaneço pra mim, pra minha família, pro meu marido, pra minha filha, pros momentos nossos, então nem tudo é compartilhado e várias vezes eu faço questão de enfatizar isso pra quem acompanha que assim, vocês não só assistem o que a gente decide compartilhar, como vocês também assistem fragmentos da nossa vida, do nosso dia. Então muitas coisas não são absolutas, porque acaba acontecendo, tem hora que a gente encontra momentos onde as pessoas querem discutir ou justificar, e isso eu não falo nem de quem acompanha e é seguidor que está ali entendendo e acompanhando e sabe de tudo assim que possa, eu tô falando de gente que vê fragmentos da sua vida e quer opinar a partir daquilo. Então acaba acontecendo assim, então eu sempre enfatizo que pra mim é natural, pra mim é uma coisa tranquila, mas não é tudo que é compartilhado e nem tudo deve ser compartilhado, porque eu acho que aí você vira domínio público e não tem nada que pertence ao seu lugar secreto, digamos assim.
05. O que você quer que a Mia saiba sobre o amor que existe nessa família quando ela crescer?
Lucas Rangel: Achei legal essa pergunta, eu não tinha lido antes as perguntas, tá? Primeiro, eu quero que ela saiba que a gente lutou muito pelo nosso amor em primeiro lugar, então os pais dela lutaram muito pelo amor deles, ainda mais numa sociedade que é muito homofóbica ainda, num país que é muito homofóbico ainda, então assim, só gays, pessoas gays, pessoas LGBTQIAP+, sabem o que é você ter que lutar por um amor que você tem e muitas pessoas não concordam, mesmo não sendo direito delas concordarem ou não. E muita gente banaliza e muita gente criminaliza. Então, assim… é difícil, mas é uma coisa que a gente lutou muito pelo nosso amor como casal primeiro e depois a gente lutou muito pelo sonho de nos tornarmos pais dela e que por mais que não foi um momento fácil, um processo fácil, a gente se sente realizado todos os dias que a gente tá com ela, assim, e muito grato porque foi a melhor coisa que aconteceu nas nossas vidas, assim.
06. Que tipo de pai você quer ser? Tem alguma referência que você carrega ou algo que quer construir do zero?
Lucas Rangel: Zero. Não tenho referência, sim. Eu acho que ao longo da vida a gente pega referência dos nossos próprios pais, mas assim como eu um dia vou fazer na vida da Mia algo que ela não vai gostar, nossos pais um dia fizeram com a gente tentando acertar e decisões, privações. Então muitas vezes os pais de primeira viagem estão ali tentando ser pais. E quando a gente se torna pai, a gente entende que nossos pais não eram perfeitos e não iam conseguir ser, porque a gente também não… Nós não vamos ser pais perfeitos também. Então, o pai que eu quero ser é o pai que eu… Estou precisando de água seca agora, mas é o pai que eu conseguir ser. E que ela saiba que o pai que eu consegui ser é o melhor pai possível pra ela. E se um dia eu errar em alguma coisa, foi realmente tentando acertar. Não é como se fossem frases prontas, mas é porque eu não tenho nem como responder essa pergunta. Eu acho que ao longo da vida a gente vai pegando inspirações das pessoas, Depois, ao longo da nossa própria vida adulta, a gente vai escrevendo a nossa história e quando se torna pai, você tem aquela bagagem toda misturada, pronta para entregar para aquele ser também que vai ter referências ao longo da vida que não são suas. Então é tudo muito doido assim, mas é lindo de se ver.
07. O que mudou na relação de vocês dois depois que a Mia chegou?
Lucas Rangel: Eu acho que a gente passou a ser mais ouvinte um do outro. A gente passou a se colocar mais no lugar um do outro. Eu acho que a gente passou a priorizar mais os momentos de casal, porque antes a gente tinha muito tempo de casal. E hoje o tempo é reduzido. E pra gente não é uma fatalidade, porque graças a Deus, nesses 5 anos de relacionamento, 4 na verdade, antes da chegada da Mia, Nós viajamos muito, aproveitamos muito, fazemos muitas coisas, quanto casal solteiro, né? E com a chegada dela, a gente tá amando viver com ela, viajar com ela, estar com ela. Então a gente não tem aquela sensação, às vezes, que muitos casais têm de… Ai, mas eu quero viajar sem a criança, eu quero fazer coisas sem a criança. Não, eu acho que a gente fez tanta coisa sem ela, que agora a gente quer ela presente em tudo, sabe? E isso é muito gostoso, assim.
08. Nesse Dia dos Pais, o que esse título significa pra você?
Lucas Rangel: Significa sentido de vida, sabe? Significa… Como chama aquela palavra, gente? Que agora eu esqueci. Propósito mesmo, sabe? Eu acho que ser pai, assim como ser mãe, assim como você criar um ser humano, é um propósito de vida. Eu acho que isso é um presente que Deus nos dá nessa terra, que nem todos querem e nem todos vão ser também, mas que quem recebe essa dádiva tem que abraçar isso de uma forma como um presente divino mesmo e eterno, porque eu acho que nosso elo com nossos filhos são eternos. É uma coisa tão de pacto, seja natural, seja divino, que eu acho que é uma relação e uma ligação eterna.
09. Se pudessem deixar uma mensagem pra Mia daqui a 15 anos, o que diriam?
Lucas Rangel: Eu diria que ela é a coisa mais importante das nossas vidas, que talvez quanto mais velha ela ficar, mais ela vai entender o quão importante ela foi pra dar sentido de existência pra mim e pro Blay, eu falo isso por ele porque a gente fala muito sobre isso, o quanto a vida parecia um pouco mais vazia ou até fútil sem a existência dela. E que a gente quer estar sempre perto dela, podendo compartilhar da vida dela com a gente, né? Porque as pessoas crescem, a fase adulta chega e a gente sabe que às vezes afasta um pouco da família e isso é natural, isso é normal, mas a gente quer estar sempre presente porque a gente ama ela mais que tudo nessa terra.









