Xande & Mauro: o reencontro que ninguém deixou de pedir

Separados por anos, os dois pilares do samba se reencontram num almoço sem plano e transformam memória, mágoa e gratidão numa turnê feita pra quem viveu cada música junto.

Houve um tempo em que aquelas músicas tocavam em todo primeiro amor, toda resenha de amigos, todo churrasco de família. Depois veio a separação e, com ela, a mágoa de quem tinha essas canções como trilha da própria vida.

Agora, Xande e Mauro voltam a dividir o palco. Não para negociar nada, como fazem questão de dizer, mas para dar um desfecho bonito a uma história que nunca deixou de ser pedida de volta. Em conversa com a INVOGA, a dupla fala sobre o almoço que reacendeu tudo, o peso de cantar velhas canções com uma nova cabeça, o orgulho de ver a família seguir o legado e o significado de virar trilha sonora passada de pais para filhos.

INVOGA — Como surgiu a ideia dessa volta aos palcos juntos? Dizem que tudo começou com um almoço.

Xande: Começou num almoço mesmo. A gente sentou pra comer e conversar, sem nenhum plano. Aí vieram as histórias, as lembranças dos shows, as brincadeiras de sempre, e no meio disso surgiu a ideia de fazer uma noite pra quem nunca deixou de pedir. Mauro: Foi muito tranquilo. Ninguém estava ali pra negociar nada, era um encontro de amigos. E já saímos com a ideia bem definida: um reencontro, uma celebração pra quem acompanhou a gente a vida toda.

INVOGA — Vocês disseram que o show foi pensado pra quem ficou magoado com a separação. O que vocês querem que essa pessoa sinta quando as luzes se apagarem no fim do show?

Mauro: Quero que ela vá pra casa em paz e feliz de ter vivido um momento como esse. Muita gente sofreu com a separação tanto quanto a gente, porque aquelas músicas faziam parte da vida dela. Esse show é pra essa pessoa sentir que a história teve um desfecho bonito e que ela fez parte dele. Quando a luz apagar, que fiquem a gratidão e as boas memórias!

INVOGA — Dividir o microfone com o sobrinho, o Mamute, que hoje é a voz do grupo, deve ser especial. Como é olhar pro lado e ver a família continuando essa história?

Xande: Me dá muito orgulho. Eu vi o Mamute crescer no meio do samba, acompanhando ensaio, aprendendo com a gente. Hoje ele conduz o Revelação com o jeito dele, com a voz dele, e fazisso muito bem. Olhar pro lado e ver ele ali é saber que o grupo segue forte. Afinal, é meu DNA também.

INVOGA — Tem alguma música do repertório que ainda emociona de um jeito diferente agora, depois de tudo que cada um viveu separado?

Xande: “Tá Escrito” sempre me pegou, mas hoje eu canto com outra cabeça. Passei por muita coisa nesses anos, e cantar essa música de novo ao lado deles tem um peso que eu não imaginava. Mauro: Pra mim é “Coração Radiante”. Eu toquei essa música tantas vezes que já fazia no automático. No ensaio dessa turnê, prestei atenção na letra como se fosse a primeira vez e me emocionei.

INVOGA — Entre o Grammy Latino com o “Xande Canta Caetano” e a volta ao pagode raiz com os amigos, o que mudou no artista e o que continua exatamente igual?


Xande: Cantar Caetano me tirou do lugar onde as pessoas estavam acostumadas a me ver, e o Grammy foi o reconhecimento de que valeu arriscar. Isso me deixou mais seguro como intérprete. O que não mudou é o prazer de cantar com gente em volta, seja num disco de Caetano ou num pagode com os amigos. E pagode raiz nunca saiu da minha vida: o “Nos Braços do Povo” eu gravei no Bar do Zeca Pagodinho do Vogue Square, inspirado nas rodas de samba que frequentei a vida toda, e o volume 2 acaba de ser indicado ao Grammy Latino 2026 como Melhor Álbum de Samba/Pagode. No fundo, continuo o mesmo cara de Pilares.

INVOGA — Muita gente viveu a juventude embalada pelas músicas do Revelação — no primeiro amor, na resenha com os amigos, no churrasco de família. Hoje essa geração leva os filhos pros shows. Como é perceber que o samba de vocês virou trilha sonora de vida, passada de pais para filhos?

Mauro: Quando a gente gravou aquelas músicas, não tinha ideia de até onde elas iam. Hoje recebo mensagem de gente dizendo que dançou tal música no casamento e que agora o filho canta junto. Pra um músico, não existe reconhecimento maior. Xande: Por isso essa turnê tem um significado tão grande pra gente. Os pais vão poder mostrar pros filhos, ao vivo, o som que marcou a juventude deles. Vai ser uma noite pra família inteira guardar.

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