Casiere inaugura série curatorial e transforma espaço em galeria de design contemporâneo

A mostra Fundamentals reúne diferentes olhares sobre o design e apresenta peças que atravessam linguagens e temporalidades

Foto: Cristiano Bauce

Não existe um único modelo ideal de mobiliário ou de objetos de design. São inúmeras as peças que conhecemos, usamos, admiramos — e até rejeitamos. As formas que habitam o cotidiano são pensadas a partir de múltiplos fatores que atravessam o tempo: sociais, políticos, históricos e visuais.

A partir dessa perspectiva, a Casiere inaugura a primeira edição de sua série curatorial, transformando seu espaço em uma galeria dedicada ao design contemporâneo. Intitulada Fundamentals, a mostra propõe traçar um fio condutor entre temas recorrentes do design — uma espécie de gramática essencial que se reflete no desenho, na função e nos modos de produção dos objetos que organizam e acompanham a vida cotidiana.

Com curadoria construída em colaboração com dez escritórios de arquitetura, convidados a explorar o acervo da Casiere, a exposição reúne diferentes olhares em uma seleção de peças que atravessam linguagens, escalas e temporalidades, compondo um recorte que tensiona o imaginário do design a partir de seus fundamentos. Esse arco temporal é evidenciado pela presença de obras que vão desde a poltrona Cité (1930), de Jean Prouvé — a peça mais antiga da exposição — até criações recentes como a mesa Dobras (2025), de Giorgio Bonaguro, e a Luce Sferica (2025), da Flos com Ronan & Erwan Bouroullec, entre as mais contemporâneas do conjunto.

A expografia, assinada pela Versa, organiza o espaço sob uma lógica museográfica, na qual cada obra se insere em um sistema maior de relações — forma, estrutura, matéria e proporção. Mais do que apresentar objetos, a mostra investiga como o design se constrói ao longo do tempo, entre continuidades, rupturas e deslocamentos.

Núcleos curatoriais e peças
Distribuída em diferentes eixos conceituais, Fundamentals articula conjuntos de obras que exploram aspectos essenciais do design:

Contraste — MCR Arquitetos
Reúne peças como a luminária de piso Super Wire (2024, Flos + FormaFantasma), a mesa de jantar Dobras (2025, Giorgio Bonaguro), a poltrona Beg (1967, Sergio Rodrigues), a estante Sessenta (2011, Jacqueline Terpins), a poltrona LCP (2002, Kartell + Maarten Van Severen), a mesa lateral Besame Mucho (1990, Jacqueline Terpins) e a mesa lateral Morfa nº3 (2019, Lucas Recchia).

Cor — Tellini Vontobel Arquitetura
Explora a expressividade cromática com a Série Rio (2023, ,Ovo), o sofá Boiling (2013, ,Ovo), a luminária de piso Emi (2023, Flos + Erwan Bouroullec), a cadeira Lara (2025, Goia Design), a Side Metal Table (2014, Vitra + Ronan & Erwan Bouroullec), a luminária Vela (2024, ,Ovo) e o pendente Wireline (2019, Flos + FormaFantasma).

Estabilidade — 0e1 Arquitetos
Articula equilíbrio estrutural com a mesa lateral Pilotis (2022, Folio + Estúdio LL2), a mesa Burton (1958, Sergio Rodrigues), o banco Tariki (2023, Jacqueline Terpins), a poltrona Kiko (1964, Sergio Rodrigues), a luminária Athena (2015, Artemide + Naoto Fukasawa), a mesa de centro Pigmento (1994, ,Ovo) e o pendente Frisbi (1978, Flos + Achille Castiglioni).

Encaixe — Gargioni
Destaca soluções construtivas com a mesa lateral Blom (2025, Lociks), a luminária Chiara (1969, Flos + Mario Bellini), o sistema Componibili (1967, Kartell + Anna Castelli Ferrieri), a poltrona Beto (1958, Sergio Rodrigues), o pendente Luce Orizzontale (2022, Flos + Ronan & Erwan Bouroullec) e a mesa de jantar U (2018, Jacqueline Terpins).

Geometria — Polido Arquitetura
Evidencia rigor formal com a mesa Fio (2015, Jacqueline Terpins), a luminária Taccia (1962, Flos + Achille & Pier Giacomo Castiglioni), a mesa de centro Luxor (1962, Sergio Rodrigues), a poltrona Cité (1930, Vitra + Jean Prouvé), o banco Nazar (2022, Folio + Estúdio LL2), o pendente Discocó (2009, Marset + Christophe Mathieu) e a luminária Domo (1965, Karakter + Joe Colombo).

Textura — Estúdio Obra Prima
Valoriza superfícies e materiais com o sofá Mole (1957, Sergio Rodrigues), a poltrona Arcos (1968, Sergio Rodrigues), a luminária de piso Esphera (2024, Autoral + Estúdio Sala), a poltrona Vronka (1962, Sergio Rodrigues) e o pendente In The Air (2024, DCWéditions + Douglas Mont).

Escala — Studio Colnaghi
Trabalha proporção e dimensão com o sofá Tônico (1963, Sergio Rodrigues), a mesa lateral Mac (1988, Sergio Rodrigues), a poltrona Xibô (2013, Sergio Rodrigues), a mesa lateral Praça (2019, ,Ovo), a mesa Catwalk (2019, Giorgio Bonaguro) e o pendente Overlap (2018, Flos + Michael Anastassiades).

Estrutura — Stemmer Rodrigues
Enfatiza construção e suporte com a poltrona 22 (2019, Paulo Mendes da Rocha), a poltrona FDC (1950, Flavio de Carvalho), o banco Preguiça (2023, Jacqueline Terpins), a luminária Lorosae (1999, Nemo + Álvaro Siza), a Coordinates (2020, Flos + Michael Anastassiades), o sofá GB Lounge (1972, Karakter + Gijs Bakker) e a Luce Sferica (2025, Flos + Ronan & Erwan Bouroullec).

Ritmo — Ambidestro Arquitetura
Investiga repetição e cadência com o sofá Block (2023, Estudiobola), a mesa Aramada (2013, Decameron + Marcus Ferreira), a cômoda Bianca (1993, Sergio Rodrigues), o banco Mucki (1958, Sergio Rodrigues) e a luminária Super Wire (2024, Flos + FormaFantasma).

Material — NM3
Apresenta uma família de peças contemporâneas em aço inox reciclado, cortadas a laser e montadas por encaixe, como as mesas Nm20, Nm2 e Nm08, os bancos Nm1, Nm6, Nm7 e Nm13, além das mesas laterais Nm3 e do aparador baixo Nm11, reforçando uma abordagem centrada na precisão e no processo produtivo
Em paralelo, o estúdio italiano NM3, cuja representação no Brasil é exclusiva da Casiere, assina as vitrines, propondo uma leitura centrada na matéria como protagonista e introduzindo uma camada adicional de experimentação e contraste.

Diálogo NM3 e Casiere
A mostra é resultado da conexão entre a Casiere e a Versa, organização criativa dedicada a conexões e experiências multissensoriais.

Evolução de um contato, iniciado em 2025, a obra do estúdio dialoga diretamente com a linguagem curatorial da Casiere, que valoriza processos industriais, a potência dos materiais e uma estética precisa, essencial e atemporal.

A exposição inaugura no dia 27 de março e permanece em cartaz até 10 de abril.

Coberturas
Mais recentes
Destinos
Entrevistas