O que move o desejo quando o logo não é mais suficiente? Essa foi a pergunta que guiou um dos encontros mais relevantes da presença brasileira na Paris Fashion Week: o talk “O Luxo Depois do Logo: curadoria, identidade e por que o futuro do luxo passa pelo Brasil”.









Promovido pela jornalista e curadora de conteúdo Deny Peres no dia 4 de março, em Paris, reunindo um público seleto de formadores de opinião, executivos e referências da moda para discutir as transformações que estão redesenhando o mercado global de luxo.
Com mediação de Deny, que atua em projetos que conectam influência, luxo, inovação e mercado, a conversa contou com a participação da atriz e diretora criativa Isabella Santoni, da modelo e ativista Rita Carreira e do editor de moda Guilherme de Beauharnais. Quatro perspectivas distintas que, juntas, desenharam um panorama sobre desejo, identidade e transformação no mercado de luxo.
O talk acontece em um momento em que o mercado global de luxo vive uma virada estrutural, com consumidores mais críticos e em busca de algo que vá além do produto. Nesse cenário de excesso de informação, tendência e imagem, a curadoria emerge como um dos ativos mais valiosos da indústria.
Ao longo do encontro, Deny destacou a mudança de comportamento do consumidor e o novo momento vivido pela indústria. “Vivemos um momento de ruptura no mercado de luxo global. Os números mostram queda, mas o que eles escondem é uma mudança de valor: o consumidor não quer menos luxo, quer luxo com sentido. E nesse jogo, quem edita, quem escolhe, quem tem ponto de vista e curadoria é quem lidera.”
A atriz e diretora criativa Isabella Santoni destacou que o Brasil possui uma força criativa ainda subestimada pelo próprio mercado local, algo que começa a ganhar novo reconhecimento internacional. “Luxo tem menos a ver com símbolo e mais com origem. Talvez por isso a nossa brasilidade chame tanta atenção. Luxo é crescer sem perder o que nos formou”, afirmou.
Para ela, essa valorização da origem também está diretamente ligada à construção da identidade das marcas. “Talvez o luxo depois do logo seja justamente isso: voltar à origem e aos códigos que formam uma marca. É isso que sustenta o legado. Acredito que uma identidade forte passa por preservar a autenticidade, atualizando os símbolos sem perder seus princípios.”
A conversa seguiu em tom franco e provocador. Guilherme de Beauharnais apontou que o luxo perdeu consumidores não por falta de desejo, mas por excesso de decepção. Para ele, a temporada atual da Paris Fashion Week já demonstra que as grandes maisons começaram a entender o recado do público. O editor também levantou uma reflexão sobre a fronteira entre mídia editorial e influência digital, defendendo que o que define autoridade hoje não é o formato, mas o ponto de vista.
Já Rita Carreira colocou na mesa uma pergunta direta que provocou reflexão entre os convidados: o luxo realmente mudou ou ficou no meio do caminho? A modelo e ativista apontou uma percepção de retrocesso das marcas na contratação de corpos diversos de forma geral, trazendo um alerta que ecoou entre os presentes.
Realizado em meio à efervescência da Paris Fashion Week, o encontro reforçou também o espaço crescente do Brasil nas conversas globais sobre moda, cultura e luxo, não apenas como consumidor, mas como produtor de visão, narrativa e identidade.









