O INQUEBRAVEL – FERNANDO FERNANDES PARA INVOGA 38

O título do livro de Fernando Fernandes parece descrevê-lo perfeitamente. Afinal, ele não se deixa quebrar por qualquer coisa e está sempre em busca de novos desafios para enfrentar e vencer. Conversamos com o atleta e apresentador de televisão, que veio gravar seu programa nas praias do Ceará e, claro, velejar – sua nova paixão – em nossos mares.

O astral de Fernando Fernandes é daqueles legítimos e se espalha por onde ele passa. Com um sorrisão no rosto (e que rosto!) e uma vontade de ganhar o mundo, o atleta e apresentador de televisão não permitiu que a paralisia das pernas – adquirida após um acidente de carro – paralisasse sua história. Pelo contrário, parece até que isso o motivou a estar cada vez mais conectado à vida e ao corajoso ato de vivê-la.


O esporte, que nunca deixou de estar presente em seu dia a dia, ganhou novas possibilidades e formatos. “Sempre fui atleta, desde os tempos de colégio. Joguei futebol profissional, lutei box amador, fiz paraquedismo… depois do acidente, não mudou a relação com a atividade física, mas a forma de praticar”, ressalta. E, como de costume, ele mergulhou – quase que literalmente – da maneira mais intensa possível em novas práticas, chegando, inclusive, a se tornar o primeiro brasileiro a ser Campeão Mundial de paracanoagem.

“Quando sofri a lesão, e os médicos me disseram que eu não poderia mais andar, eu decidi que ia aprender a voar”, lembra Fernando, que se encantou por uma atividade que o ajudaria a realizar esse sonho – o kitesurf. Logo ele foi ao encontro de Gustavo Foerster, kitesurfista, instrutor e, agora, parceiro inseparável. “No começo, ele era um aluno bem teimoso, mas é incrível a aptidão dele para o esporte. Eu só topei porque sabia que ele tinha um histórico desportivo muito legal, eu não estaria treinando qualquer pessoa”, explica Gustavo.


Os ventos constantes do Ceará e propícios para o velejo os trouxeram para a terra do sol, mais precisamente ao Cumbuco. O Carmel Cumbuco Resort, onde se hospedarem, virou uma segunda casa, já que o local é ideal para os praticantes da modalidade, que têm o mar à disposição a poucos passos. “Engraçado que, quando chegamos aqui, o pessoal falava que os ventos não estavam bons, que não era temporada… e eu estava achando tudo perfeito, como eu nunca tinha visto antes”, conta Fernando. Primeiro, eles velejaram em lagoas e, só depois de muito treino, foram para o mar. Foi também nessa oportunidade em que os dois puderam velejar juntos pela primeira vez. Por trás das ondas e manobras bem-sucedidas, existiu muita dedicação. Durante um ano, aluno e professor estiveram juntos, unindo o conhecimento do kite de um à vivência do esporte adaptado do outro para que pudessem transformar em realidade os planos de tornar Fernando o primeiro brasileiro a praticar kitesurf adaptado.

Ser visto como um exemplo de superação não é problema para Fernando. “Na verdade, é motivação pura! É a minha gasolina”. Com a prática de esportes radicais, ele espera quebrar alguns paradigmas presentes na sociedade. “O que as pessoas esperam de um cadeirante? Aquele negócio devagar, sem força… Eu tinha que fazer com a mesma intensidade que fazia antes, não só pelo fato de o esporte me trazer algo, mas para transformar toda uma visão, um pré-conceito que as pessoas têm em achar que só porque você sofreu um acidente não pode fazer mais nada… que cadeira de rodas é sinônimo de incapacidade”, defende o atleta, que, cada vez mais, aspira por novas conquistas e inspira todos que estão ao seu redor.

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