Primeira marca quilombola a desfilar sua coleção solo em Moçambique, Dih Morais transforma memória, ancestralidade e resistência em moda autoral






A moda de Dih Morais nasce de uma história de resistência. Estilista quilombola, ele transformou as dificuldades vividas na infância em potência criativa e fez da moda um instrumento de memória, identidade e pertencimento. Hoje, suas criações, marcadas pelo fazer artesanal e pelas referências afro-brasileiras, circulam por passarelas, produções audiovisuais e projetos que celebram a diversidade cultural, consolidando seu nome como uma voz autêntica da moda brasileira.
A trajetória de Dih é atravessada por experiências que moldaram sua visão de mundo. Ainda criança, viveu em situação de extrema vulnerabilidade, frequentando aterros sanitários e pontos de descarte em busca de alimentos, roupas e brinquedos. Aos 12 anos, após sofrer violência dentro da própria família, deixou sua casa e passou a viver entre amigos, professores e parentes. Foi aos 18 anos, incentivado por uma amiga, que aprendeu a costurar e encontrou na confecção de ecobags uma possibilidade de sustento e de reescrever sua própria história.
“Eu sempre digo que quem sou hoje é apenas o reflexo de quem fui lá atrás. A moda não veio de uma tradição familiar nem de uma herança. Eu construí tudo isso para que a história das mulheres da minha família e de tantas pessoas como eu não seja esquecida. Prosperar, para nós, também é uma forma de cura”, afirma Dih Morais.
Entre os momentos mais marcantes de sua carreira está o convite para apresentar uma coleção em Moçambique. O convite surgiu de forma inesperada, em solo africano, além de exibir suas criações, Dih conduziu uma masterclass e se tornou o primeiro estilista quilombola a realizar um desfile solo no país. Outro capítulo importante de sua trajetória aconteceu em seu primeiro desfile autoral no Brasil, construído de maneira independente e coletiva, reunindo nomes como a médica e campeã do BBB, Thelma Assis, a atriz Micheli Machado e o médico e influenciador Fred Nicácio na passarela.
“Eu acredito profundamente no poder da coletividade, no Ubuntu, no ‘nós por nós’. Meu primeiro desfile solo aconteceu porque muitas pessoas acreditaram no meu sonho e atravessaram o país para estar comigo. Quando a gente entende a força desse apoio, entende também que é possível ocupar qualquer espaço”, diz o estilista. Atualmente, além do reconhecimento nas passarelas, suas criações também já integraram produções da TV Globo, ampliando o alcance de uma obra que carrega ancestralidade, memória e a certeza de que a moda pode ser uma ferramenta de transformação social.









