Passaporte de Eliza Samudio encontrado em Portugal reacende mistérios de um dos crimes mais marcantes do Brasil, entenda o caso;

Documento reaparece 15 anos após o desaparecimento e morte da modelo, cujo corpo nunca foi localizado, renovando teorias e questionamentos sobre o destino real de Eliza.

O nome de Eliza Samudio voltou a figurar no noticiário nacional com força renovada na primeira semana de janeiro de 2026, depois que um passaporte em seu nome foi encontrado em Portugal, mais de 15 anos após seu desaparecimento e morte conhecida pela Justiça brasileira. O achado, inesperado, reacende dúvidas e alimenta especulações sobre um dos casos criminais mais estudados e discutidos no país nas últimas décadas.

Créditos/via internet

Eliza, que era modelo e atriz, foi vítima de um crime brutal em 2010, aos 25 anos, em meio a um relacionamento com o então goleiro Bruno Fernandes, ex-jogador do Flamengo. Ela havia buscado judicialmente o reconhecimento de paternidade de seu filho, Bruninho, e registrado denúncias de violência pouco antes de desaparecer em junho daquele ano. As investigações policiais concluíram que ela foi sequestrada, morta e seu corpo ocultado, em um crime que chocou o país pelo seu caráter violento e pelo envolvimento de figuras públicas.

Em março de 2013, Bruno foi condenado a mais de 20 anos de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, enquanto outros envolvidos, como Luiz Henrique Romão (Macarrão) e o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos (Bola), também receberam penas por participação no crime. Apesar das condenações, o corpo de Eliza nunca foi encontrado, mantendo um dos elementos mais perturbadores e misteriosos da história.

Créditos/via internet

A descoberta recente ocorreu no final de 2025 e só veio à tona em janeiro de 2026, quando um morador de um apartamento alugado em Lisboa, Portugal, declarou ter encontrado o passaporte de Eliza entre livros em uma estante e entregou o documento ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa. O consulado confirmou o recebimento e comunicou oficialmente o Itamaraty, informando que aguarda orientações sobre os próximos passos relativos ao documento.

O passaporte, emitido em 2006 e válido até 2011, traz apenas um registro de entrada em Portugal em 2007, mas nenhum carimbo de saída, um detalhe que ampliou as reações nas redes sociais e na imprensa. Internautas e comentaristas questionaram como o documento teria chegado a Portugal e por que estava lá por tanto tempo sem qualquer menção nas apurações anteriores, gerando teorias e debates sobre possibilidades que vão desde um erro histórico de registro até interpretações mais sensacionalistas sugerindo cenários não comprovados.

O irmão de Eliza, Arlie Moura, de 27 anos, manifestou-se publicamente sobre o caso, afirmando que o documento é de fato da irmã e ressaltando que a descoberta mexeu com ele emocionalmente, ao mesmo tempo em que enfatizou a necessidade de investigação para esclarecer se o passaporte foi perdido, roubado ou manipulado de alguma forma antes de aparecer em solo europeu. Ele disse que “seria bom se ela estivesse viva”, mas lembrou que qualquer conclusão definitiva dependerá da análise formal das autoridades competentes.

A repercussão contemporânea também tem sido marcada por debates nas redes sociais, onde o mistério de Eliza não perdeu seu poder de fascínio. Muitos usuários destacam a persistência das dúvidas, justamente por não existir localização do corpo, enquanto outros chamam à cautela, lembrando que documentos podem circular por décadas devido a fatores como extravio, colecionismo ou mudanças de propriedade sem implicação criminal.

Quinze anos depois, o caso de Eliza Samudio permanece um marco doloroso e emblemático na memória coletiva brasileira, tanto pela violência cometida quanto pela combinação de elementos que envolvem poder, mídia, Justiça e mistério sem resolução completa. O reencontro inesperado com um documento tão íntimo quanto um passaporte reacende não apenas a curiosidade, mas também a necessidade de olhar para trás com rigor investigativo e respeito à complexidade do ocorrido, lembrando que, por trás das teorias, há uma vida ceifada e uma família que ainda busca respostas.

Linha do tempo Caso Eliza Samudio

  • 2009 – Eliza Samudio inicia um relacionamento com o goleiro Bruno Fernandes e engravida. O jogador se recusa a reconhecer a paternidade.
  • Início de 2010 – Eliza registra denúncias de ameaças e violência. O caso começa a ganhar repercussão pública.
  • Fevereiro de 2010 – Nasce Bruninho. Exame de DNA confirma que Bruno é o pai.
  • Junho de 2010 – Eliza desaparece após viajar do Rio de Janeiro para Minas Gerais. É o último registro dela com vida.
  • Julho de 2010 – A polícia conclui que Eliza foi assassinada. Bruno e outros envolvidos são presos. O corpo nunca é encontrado.
  • 2013 – Bruno é condenado a mais de 20 anos de prisão por homicídio, sequestro e ocultação de cadáver.
  • 2017–2019 – Bruno deixa a prisão após progressões de regime. O caso volta ao debate público
    .
  • Final de 2025 – Um passaporte de Eliza Samudio é encontrado em Portugal, em um apartamento em Lisboa.
  • Janeiro de 2026 – O consulado brasileiro e a família confirmam a autenticidade do documento. O achado reacende questionamentos sobre o caso.
  • Atualmente – As autoridades analisam a origem do passaporte. O corpo de Eliza segue desaparecido.
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