Natalia Guitler fala sobre como o esporte virou propósito, disciplina e inspiração para viver do sonho.

1 – Hoje o esporte muitas vezes vai além da competição e passa a ocupar um lugar de expressão pessoal, identidade e até estilo de vida. Olhando para a sua trajetória, do tênis profissional ao futevôlei e ao teqball, em que momento você percebeu que o movimento deixou de ser apenas performance e passou a fazer parte de quem você é?

Resposta:
Boa pergunta. Eu acho que o momento de transição foi quando eu tava deixando de jogar tênis pra poder entrar no futebol, e ali eu já vi que abria um leque muito grande de possibilidades, apesar de que naquele momento eu comecei a estudar administração e comecei a jogar de forma amadora o futebol. Então, dali eu já tava equilibrando os pratinhos de entender pra onde ia esse propósito, né? E depois entrou o techball, que também fortaleceu isso. Mas a virada de chave realmente foi aos trinta anos, quando eu realmente decidi viver do esporte, fazer um pós em marketing esportivo e realmente entrar nesse cenário completo de que era o meu propósito, era o que eu queria fazer, era o que eu queria me capacitar, estudar, treinar em alta performance, mas também andar junto com o lado de comunicação, rede social e propósito, tudo isso que envolveria da maneira que eu faço hoje, já há quase dez anos, comunicando não só o esporte, mas também inspirando através dele.

2 – Em uma geração que fala cada vez mais sobre saúde mental e equilíbrio emocional, o treino também virou para muita gente um espaço de respiro no meio da rotina. Na sua experiência, de que forma o esporte ajudou a organizar emoções, energia e foco ao longo da vida?

Resposta:
O esporte, pra mim, sempre foi vital, né? Se não tivesse esporte na minha vida desde os três anos, meu pai fala que eu jogava futebol com ele na praia e as pessoas paravam pra ver, porque já viam que eu realmente ia seguir algo pro esporte, então eu acredito que desde quando eu nasci meus pais já sabiam, por ter três irmãos mais velhos também, que eu entraria no esporte. E foi, pra mim, fundamental na minha vida. O equilíbrio da minha vida, eu digo que é o esporte. Tô estressada? Vai fazer o esporte. É preciso performar? Treino mais. Então, de todas as maneiras, o esporte, pra mim, modificou e agregou na minha vida, e acredito que vai ser pra sempre.

3 – Sua carreira cresceu junto com a presença digital: vídeos, desafios técnicos e uma audiência global acompanhando cada movimento. Em um cenário em que redes sociais, performance e comparação estão sempre presentes, como você preserva uma relação mais genuína e prazerosa com o esporte?

Resposta:
Pra mim é muito orgânico, porque essa essência tá em mim. Eu pratiquei profissionalmente esses esportes, né? Tênis, futebol e tecball. Então, meu dia a dia, minha comunicação, além de outros trabalhos que eu tenho que envolvem esporte, já faz parte de mim, da minha essência, do esporte que eu pratico. Então, pra mim é muito tranquilo, muito natural. Óbvio que existem situações em que você vê que a pessoa não faz parte da essência, mas comunica. Então essa verdade tá muito em mim, no que eu faço nas redes sociais. Eu tenho muito orgulho disso, e quem me segue também me acompanha, sabe das origens dos esportes que eu fiz e do que eu faço no meu dia a dia pra poder tá inspirando e passando minha verdade aqui nas redes sociais.

4 – Entre treinos, competições, viagens e projetos, sua rotina exige disciplina constante. Que tipo de acordos você precisou construir consigo mesma para equilibrar ambição profissional, bem-estar e vida pessoal?

Resposta:
Boa pergunta. Acordos comigo mesma em relação à disciplina, foco, a não me sabotar em relação a tudo que eu tenho que fazer. Se eu quero performar, eu preciso treinar. Então, independente de algum compromisso, de viagem que eu tenha, eu preciso me manter. Eu vou treinar, eu vou me alimentar melhor, eu vou me equilibrar. Já faz parte da minha rotina ser assim. Mas é claro que, às vezes, em compromisso de trabalho, você tem que dormir um pouco mais tarde ou, enfim, ficar mais tempo no local, ou fazer coisas que vão te cansar mais. Então tenta equilibrar, isso tem dado certo. É claro que, às vezes, foge um pouco da mão quando viaja pra algum lugar mais longe ou tem muitos voos e situações, mas, de uma maneira geral, é isso. Eu tenho um acordo comigo mesma pra que tudo dê certo. É cuidar do corpo, ouvir meu corpo em relação aos tempos, à minha saúde, que é o principal, pra poder me manter sempre ativa e disposta, pra conseguir cumprir tudo. Mas eu falo que eu vivo do meu sonho, então, pra mim, é sempre um prazer poder fazer tudo que eu faço e entregar da melhor maneira.

5 – Quando as pessoas veem suas conquistas ou desafios técnicos, muitas vezes enxergam apenas talento e confiança. Mas toda trajetória esportiva também passa por fases difíceis. Hoje, olhando para o processo, o que você gostaria que mais pessoas entendessem sobre constância e relação com o próprio corpo no esporte?

Resposta:
Se tem uma coisa que é certa que eu posso dizer aqui é que o desconforto vai te trazer conforto. Isso quer dizer o quê? Que, no lado performance ou não, você fazer coisas que, às vezes, não era o que você queria fazer naquele momento, mas você vai fazer continuamente, vai te trazer o resultado. Seja isso em alimentação, em treinos, viagens, compromissos que você sabe que você tá equilibrando pratinhos pra dar certo, mas isso vai te trazer, em algum momento, o resultado que você quer. Então, pra tudo, passa pelo desconforto pra chegar no conforto, e se adapte a ele, porque nem sempre a gente vai tá confortável nas situações. Eu digo isso em relação à alimentação, a treino, a reuniões, a problemas, a situações. Então você vai gerar, passar por vários desconfortos que você vai aprender a ficar confortável. Então vai nessa linha: se dedica, acha o seu propósito e, sem dúvida, vai fazer muita diferença você ser feliz do processo. Você vai ter que passar pelo processo mesmo, e essa é a minha maior dica que eu posso dar aqui hoje.

Pergunta bônus: se você pudesse deixar uma mensagem para as mulheres que
acompanham sua trajetória e se inspiram em você, qual seria?

Resposta:
Se eu pudesse dizer alguma coisa aqui pra uma mulher que tá me vendo, ou pra todas também, é ter coragem. Se eu tive coragem no início e continuei tendo, você também pode ter. E, sem dúvida, se você tiver essa coragem, você vai ver o que você pode alcançar, e vai ser um impacto, porque todo mundo tá querendo ver. Então, só vai.

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