Uma mudança silenciosa na ordem das cadeiras de beleza está transformando o resultado do loiro e das morenas iluminadas. Em vez do tradicional protocolo de lavar, cortar e tingir, a tendência agora é o corte a seco como etapa obrigatória antes de qualquer química. Ao priorizar a tesoura antes, o método impede que as camadas alterem a posição do iluminado, um erro comum quando o desenho das luzes não prevê o caimento do cabelo seco.

O objetivo técnico é evitar o temido “efeito oncinha”, que ocorre quando o repicado remove justamente os pontos onde a cor foi depositada. “Ao passar a tesoura com o fio em seu estado natural, o profissional consegue mapear o movimento do cabelo para que o colorista localize os pontos de luz sobre a estrutura final. Se você faz a cor primeiro e depois corta, muda totalmente a visão de onde a cor foi encaixada e o resultado fica parecendo uma estampa de oncinha” , explica Gabriela Balan, Hairstylist TP Beauty Lounge, no Leblon (RJ), que já utiliza essa técnica.
Para além do ganho estético nas mechas, o método é a resposta para a clássica insegurança com o comprimento. Como a água estica o fio e mascara detalhes como redemoinhos e densidade, o erro de cálculo no molhado é frequente. “No corte a seco, respeitamos a divisão natural e o volume real que a cliente terá no dia a dia. O resultado que aparece na hora é exatamente o mesmo que ela terá em casa”, pontua Gabriela.
Sem contraindicações, a técnica se consolidou pelo boca a boca entre mulheres que buscam camadas e movimento sem o aspecto de pontas ralas, típico de quem tem fios finos. Ao unir precisão técnica e visagismo, a prática entrega um visual personalizado que sobrevive à primeira lavagem.









