Caio Paduan, a arte como caminho permanente

Entre teatro, televisão, cinema e novos formatos verticais, o ator reflete sobre trajetória, escolhas e o compromisso contínuo com boas histórias

Com mais de duas décadas de carreira, Caio Paduan fala sobre origem, amadurecimento artístico, o retorno à Globo em um formato inédito e o olhar de quem entende a atuação como um exercício constante de escuta, entrega e construção narrativa, confira a entrevista:

Trajetória, carisma e dedicação. Caio Paduan, 37 anos, é ator e diretor criativo com passagem consistente pelo teatro, televisão e cinema. Seu trabalho inclui séries e novelas da TV Globo e Record, além de produções para Prime Video, Netflix e Globoplay. O projeto mais recente marca um momento simbólico em sua carreira, a primeira produção vertical do Globoplay, Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário. Paralelamente, Caio desenvolve projetos autorais para o streaming e para o teatro, ampliando sua atuação para além da interpretação.

“Sempre estou à procura de boas histórias para se contar, e trazer mais esse projeto vertical à vida é realmente muito satisfatório. Mesmo já estando acostumado com produções desse formato, cada projeto é único, com suas peculiaridades. Ainda mais sendo o primeiro projeto vertical do Globoplay, o que trouxe novas experiências positivas para o repertório.”, afirma.

  1. De um adolescente de 16 anos descoberto pelos professores de literatura ao protagonista de novelas. Em que momento da vida você percebeu que a arte não era só um sonho, mas o seu destino?
    Foi uma evolução natural dos meus estudos e do meu trabalho. No entanto, um momento crucial ocorreu quando anunciei ao meu avô que seria ator. Externalizar essa certeza foi fundamental, pois me permitiu enxergar de fora algo que sempre foi muito evidente para mim.
  2. Como foi carregar o peso e o brilho de interpretar o Rei Arthur em “Avalon” e, a partir dali, ser descoberto para estrear na TV Globo?
    Assumir o papel desse personagem tão marcante na adaptação teatral do livro consagrado Brumas de Avalon foi, na época, uma enorme responsabilidade e um grande desafio. Contudo, essa experiência acabou me dando uma visibilidade significativa para o trabalho que eu já vinha construindo e abriu portas para projetos ainda maiores.
  3. Entre tantos personagens marcantes, de vilões intensos a delegados dramáticos, qual papel mais te transformou como ser humano e por quê?
    Acredito que cada trabalho é singular, e carrego cada um de forma especial, com aprendizados diferentes. A cada papel e produção em que participei, algo foi agregado à minha experiência, não apenas como profissional, mas como ser humano.
  4. Você já foi protagonista, vilão, herói, professor, delegado. Qual personagem você ainda não interpretou e sente que está só esperando o seu momento?
    Tenho um grande carinho por todos os personagens que interpretei. Mas a minha paixão é contar boas histórias. Esse é o verdadeiro papel do ator, do artista, emprestar o corpo aos desafios da arte. Por isso, não me concentro apenas no personagem, mas nas narrativas que posso transmitir através deles.
  5. Depois de experiências tão diferentes no teatro, na TV, no cinema e até na Broadway, em que lugar você sente que sua alma artística mais mora?
    O formato, para mim, é secundário. Meu coração e minha alma estão na qualidade das histórias, que podem surgir de inúmeros lugares. Minha jornada começou no teatro, pelo qual tenho um carinho imenso, migrou para a TV, depois para a direção criativa, produção teatral e formatos verticais. Em todas essas experiências, a busca por boas narrativas sempre foi o foco.
  6. Criar seu próprio hub de dramaturgia e dirigir seu primeiro musical foi um divisor de águas. Qual foi o maior medo e o maior orgulho dessa fase?
    Não considero uma virada, mas um desdobramento natural do meu trabalho. É um processo de evolução que incorpora novas experiências e projetos, cada um com sua peculiaridade, contribuindo para a minha formação artística. Estar presente e acompanhar a construção de cada projeto já é um grande orgulho.
  7. Você pratica kitesurf, ama música, literatura e cinema. Como esses interesses influenciam quem você é como artista?
    A construção do ator é um processo contínuo. Busco inspiração em várias áreas da minha vida para enriquecer meus personagens e organizar ideias. Mas as histórias pertencem a eles. Meu papel é ser o contador dessas narrativas, usando minhas experiências pessoais apenas como ferramentas para a criação.
  8. Ao estrear no primeiro microdrama do Globoplay, um formato vertical pensado para redes sociais, o que mais te surpreendeu nessa nova forma de fazer novela?
    Retornar à Globo, marcando uma nova fase da dramaturgia da casa, foi um movimento maduro e natural. Trago a bagagem de experiências anteriores com o formato vertical e tenho uma relação importante com a emissora, onde cresci como ator. Poder contribuir nesse novo momento, assim como a Globo contribuiu para a minha formação, e trabalhar ao lado de um diretor com quem tenho grande afinidade artística, deu um sentido especial a esse retorno.
  9. Participar de produções como “Paulo, O Apóstolo” e do novo microdrama mostra uma carreira em expansão. Onde você se enxerga artisticamente nos próximos anos?
    Sempre fui um artista envolvido em projetos diversos, que me trouxeram desafios constantes. Me vejo, cada vez mais, abraçando projetos desafiadores, seja atuando, produzindo ou dirigindo.
  10. Se você pudesse mandar uma mensagem para o Caio de 16 anos, no teatro da escola, o que diria?
    Diria que os desafios só o prepararam melhor para o futuro. Todo o aprendizado acumulado resultará em obras cada vez mais belas de se recordar. A trajetória, por mais árdua que tenha sido, trouxe grandes recompensas, e foi preciso viver tudo isso para chegar até aqui.

Caio Paduan constrói sua carreira a partir de um princípio claro, a história vem antes do formato, do personagem ou da visibilidade. Seu percurso revela um artista atento às transformações da dramaturgia contemporânea, sem perder o vínculo com a essência do ofício, escuta, disciplina e compromisso com narrativas que atravessam o tempo. Entre palcos, sets e novas telas verticais, Caio segue expandindo não apenas sua atuação, mas o próprio entendimento do que significa contar histórias hoje.

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Créditos: Gustavo Arrais

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