Em conversa exclusiva com a InVoga, o ator conta o que muda para o personagem na 2ª temporada da série da Netflix e o que a carreira ensinou sobre arte, indústria e gente.
A 2ª temporada de The Gentlemen já está disponível na Netflix, e um dos personagens que mais deixa o público com a pulga atrás da orelha é Emery Stevens, vivido por Alexis Rodney. Nesta entrevista exclusiva, o ator relembra a premiere de Entre Mundos, em Londres, fala do papel, da trajetória e do que espera provocar em quem assiste. Confira, na íntegra.


01.Você esteve na premiere de Entre Mundos, em Londres. Qual foi o momento daquela noite que mais ficou com você?
A melhor parte da noite, para mim, foi ver o quanto a minha parceira, Camila Alves, estava feliz: linda, grata e radiante. Vou guardar esse momento na memória por muito tempo.
02. A segunda temporada de The Gentlemen aumenta as apostas, com mais território e jogadores mais perigosos. O que muda para Emery Stevens nesse novo cenário?
Embora Emery tenha apenas uma participação breve nesta temporada, ele continua sendo um elo entre diferentes mundos e famílias. É um conector, e há algo de homem renascentista nele. É apresentado como advogado e assistente pessoal do tio Stan (interpretado pelo grande Giancarlo Esposito), mas o que torna o Sr. Stevens tão interessante é que nunca sabemos ao certo até que ponto suas credenciais são legítimas, nem o que seu trabalho realmente envolve. Na primeira temporada, vimos seu lado refinado, perspicaz e voltado para os negócios. Nós o vimos decantar vinho com tanta competência que ele quase parecia assumir o papel de sommelier. Mas também o vimos negociar em situações de alto risco, sujar as mãos queimando uma carga de drogas no cais e fazer uma ameaça muito pessoal a Florian de Groot. Há uma contradição fascinante nisso: no papel, ele é advogado, mas suas ações sugerem que há muito mais por trás dele.

03.A atuação é tanto uma forma de arte quanto uma indústria. O que ela lhe ensinou sobre cada uma?
Acho que há duas partes nessa resposta. A atuação é uma forma de arte, mas também é uma indústria, e, no fim das contas, a estrutura da indústria é a de um negócio. Como forma de arte, a atuação me mostrou que a arte reflete a vida como ela é, mas também aquilo que a vida poderia ser. Aprendi a não abordar os personagens simplesmente como bons ou maus. Isso tornaria muito difícil interpretá-los. Todo mundo quer alguma coisa. E, muitas vezes, as pessoas que julgamos más são movidas pela falta de amor, pela necessidade de amor, pela dificuldade de aceitar o amor ou simplesmente por não entenderem o que é amar. Acho que isso também acontece com as pessoas na vida real. A maioria não se vê como vilã da própria história. Cada pessoa tem suas razões, seus desejos e suas feridas, e tudo isso influencia a maneira como age. Tentar compreender essas coisas não significa justificar as atitudes de alguém; significa olhar além delas. O lado profissional me ensinou que nada é garantido. É preciso lutar por cada oportunidade e ter orgulho de cada trabalho, porque é uma indústria muito competitiva, com muitas pessoas disputando um número limitado de papéis. Quando eu estava terminando a escola, o orientador profissional me disse que a atuação não era para mim e que eu não tinha nenhuma chance de conseguir. Então, talvez haja uma lição nisso para os jovens que estiverem lendo esta entrevista: sigam aquilo em que acreditam e aquilo que amam, desde que não estejam prejudicando ninguém nesse caminho.

04.Em uma palavra, o que você quer que o público sinta em relação a Emery Stevens?
Inquietação. Quero que o público se sinta atraído por Emery, mas sem conseguir confiar completamente nele. Ele tem uma calma muito controlada. À primeira vista, ela pode tranquilizar, mas existe sempre uma tensão por baixo, como se algo não estivesse bem. Acho que essa sensação de que há mais acontecendo do que ele revela é parte do que o torna interessante.
E você, já assistiu à 2ª temporada? Confia no Emery ou também ficou com um pé atrás?







