Yan Acioli revela os bastidores da fantasia que marcou o retorno de Juliana Paes à Sapucaí

Stylist detalha processo criativo da “Rainha Eterna”, parceria com Dolce & Gabbana e a emoção de vestir a campeã da Viradouro em um dos momentos mais históricos do Carnaval

Juliana/instagram

O responsável por transformar o retorno de Juliana Paes à Marquês de Sapucaí em um dos capítulos mais emblemáticos do Carnaval recente foi o stylist Yan Acioli. Em entrevista, ele revelou os bastidores da criação da fantasia que consagrou a atriz como “Rainha Eterna” da Unidos do Viradouro no desfile campeão de 2020.

Após mais de duas décadas atuando no Carnaval como personal stylist, Yan acreditava ter encerrado seu ciclo na avenida. O ritmo intenso da preparação, que começa ainda em outubro e atravessa o fim de ano, o levou a imaginar uma aposentadoria simbólica da folia. Mas o convite para retornar ao lado de Juliana mudou seus planos. Segundo ele, era impossível recusar a oportunidade de participar de um momento que já nascia histórico.

A proposta era criar algo que transcendesse a estética. A fantasia precisava refletir o conceito de Rainha Eterna de maneira literal e simbólica. A construção partiu da imagem clássica de uma monarca, adaptada à grandiosidade do Carnaval carioca. O resultado foi uma peça integralmente feita à mão, com aplicação de cristais Swarovski e elementos de filigrana banhados a ouro. Aproximadamente 250 horas de trabalho foram dedicadas à execução do figurino.

A parceria com a maison italiana Dolce & Gabbana foi decisiva para consolidar o conceito. De acordo com Yan, a marca não impôs exigências, mas colaborou de forma aberta, respeitando as especificidades da avenida. A estética ligada à realeza, característica da grife, dialogava diretamente com a narrativa da escola e com a proposta da fantasia.

Um dos elementos mais simbólicos foi o cetro, peça original de antiquário italiano, vinda de Milão especialmente para o desfile. Pesado e imponente, tornou-se também um desafio técnico. Durante os testes, a equipe percebeu que tanto o cetro quanto a capa poderiam comprometer a mobilidade da rainha sobre o carro alegórico, especialmente devido aos equipamentos de iluminação. Dois dias antes do desfile, a capa foi adaptada para se tornar removível.

Reprodução Instagram

A estratégia era clara. Exibir a fantasia completa no setor 1, considerado o grande termômetro da Sapucaí, e depois priorizar a performance. Para Yan, é o público daquele trecho que dita o tom emocional do restante da avenida. A reação ali pode impulsionar ou esfriar a energia do desfile.

Quando Juliana surgiu no setor 1 com todos os elementos da realeza, o impacto foi imediato. Em seguida, já sem a capa, subiu ao carro para performar com liberdade total. Yan descreve o momento como uma mistura de tensão e emoção, consciente de que participava de algo que seria eternizado independentemente do resultado oficial. A vitória da escola tornou a experiência ainda mais marcante, mas, segundo ele, a sensação de ter feito história já estava consolidada antes mesmo da apuração.

Reprodução Instagram

Para o stylist, o principal requisito de uma rainha é a paixão genuína pelo Carnaval. Ele defende que a avenida não é espaço para vaidade passageira, mas para entrega verdadeira. São cerca de 700 metros de troca intensa de energia, que exigem respeito à comunidade e à tradição que sustentam o espetáculo.

Além do impacto no desfile campeão, Yan acredita que o episódio reforça o potencial do Carnaval como vitrine global de moda e cultura. Para ele, o maior espetáculo a céu aberto do mundo ainda é subestimado por parte da indústria internacional. A união entre alta-costura e tradição popular mostrou que a avenida pode dialogar com o mercado de luxo sem perder identidade.

Ao final da entrevista, Yan define o projeto como a história mais feliz de sua trajetória no Carnaval. Um retorno inesperado que resultou em uma imagem já gravada na memória da Sapucaí e na narrativa recente da moda brasileira.

Coberturas
Mais recentes
Destinos
Entrevistas