

INVOGA Wellness — Ao longo da sua trajetória, em que momento o treino deixou de ser apenas uma busca estética e passou a ocupar um lugar de sustentação na sua rotina física, emocional e mental?
Carol Borba: O treino deixou de ser estética pra mim quando eu ainda era menina e passou a ser parte da minha rotina. Eu sempre fiz atividade física, treinava em academia, já tinha essa presença do exercício na minha vida. Mas teve um momento em que decidi parar pra estudar pro vestibular, achando que assim teria mais concentração e rendimento. Só que aconteceu o contrário: senti ainda mais necessidade de me movimentar e fiquei mais triste. Foi aí que entendi que exercício não é só corpo. Ele faz bem pra minha parte emocional, mental e até social. Essa virada foi tão forte que decidi me formar em Educação Física. Foi um ponto muito positivo e determinante na minha jornada profissional.
INVOGA Wellness — A constância aparece como eixo central no seu trabalho. O que a disciplina te ensinou sobre quem você se torna quando cuida do corpo de forma contínua, e não apenas por resultado?
Carol Borba: A disciplina muda quem você é pra além do corpo, e eu entendi isso na prática. Por isso gosto de levar esse conceito pro meu trabalho. Você se torna uma pessoa mais confiável, inclusive pra si mesma. Quando existe disciplina, você passa a confiar mais no seu próprio potencial: percebe que consegue sustentar compromissos, evoluir nos estudos, no trabalho e em outras áreas da vida. O corpo acaba sendo consequência. A disciplina transborda. E é por isso que hoje ela está no centro do que eu faço.
INVOGA Wellness — Depois de tantos anos treinando, ensinando e sendo observada, como essa experiência coletiva transformou sua relação com o próprio corpo?
Carol Borba: Minha relação com o corpo mudou muito quando comecei a trabalhar ensinando outras pessoas. Percebi que existem inúmeros motivos pra começar a se exercitar, e mais motivos ainda pra continuar. Existe a parte estética, claro, mas também tem o social, o pertencimento a uma comunidade, o respiro mental que o treino proporciona. A partir dessa troca com outras pessoas, passei a valorizar muito mais esses outros benefícios. Hoje, quando uso minhas redes sociais como trabalho, não falo só de barriga menor ou braço definido. Falo dos impactos mais amplos do exercício na vida. Foram esses benefícios que me moldaram, e acredito que esse seja um diferencial importante do meu trabalho.
INVOGA Wellness — Em um mercado que reforça a ideia de estar sempre “no auge”, como você lida com as mudanças do corpo, do tempo e dos padrões que atravessam o fitness hoje?
Carol Borba: Essa expectativa de estar sempre no auge tem se intensificado. Os padrões mudam com o tempo e, recentemente, isso ficou ainda mais forte com o uso de fármacos que prometem emagrecimento rápido e com o uso de esteroides anabolizantes. Existem casos específicos em que o emagrecimento rápido pode ser necessário por questões de saúde, mas as pessoas precisam entender que resultado duradouro depende
de mudança de comportamento. Ainda não inventaram uma injeção de estilo de vida. Estilo de vida é construção diária, consciência, escolha. Sem isso, o resultado dificilmente se sustenta.
INVOGA Wellness — Quando a prioridade deixa de ser a transformação rápida e passa a ser a continuidade ao longo da vida, o que muda na forma de treinar e na forma de habitar o próprio corpo?
Carol Borba: Quando a gente para de pensar só em resultado e começa a pensar em continuidade, o treino muda de lugar. Ele sai da pressa e entra na vida. Você deixa de treinar pra provar algo pros outros e passa a treinar pra sustentar quem quer ser. Com menos exagero, menos culpa. A constância encontra espaço, e o corpo responde melhor quando entende que o treino não é castigo, mas compromisso de longo prazo. Os benefícios aparecem em vários âmbitos: saúde física, mental, emocional e social. O treino passa a ocupar um lugar mais positivo na rotina.
INVOGA Wellness — Na sua vivência, o que as pessoas ainda não compreendem quando falam sobre treinar de verdade, especialmente quando confundem descanso, pausa e ausência de movimento?
Carol Borba: A mensagem que hoje norteia meu trabalho é simples: não é sobre intensidade, é sobre continuidade. Resultado não vem do exagero ou da pressa, mas da construção consistente ao longo do tempo.
O descanso é essencial, claro, é um dos pilares do bem-estar. Mas ficar tempo demais parada não significa descansar, muitas vezes o corpo desacostuma do movimento. E quando isso acontece, a rotina fica mais pesada, o cansaço aumenta. O movimento ativa metabolismo, reduz inflamações, libera hormônios ligados ao bem-estar
e ao humor. Então não se trata de exagerar, e sim de manter o corpo em atividade de forma equilibrada. Descansar é necessário; abandonar completamente o movimento pode ter o efeito oposto.









