Em cartaz no teatro Itália com “Dois Patrões” e com projetos no streaming e no cinema, atriz investe em personagens de naturezas distintas
Enquanto as luzes se apagam em um palco, outras se acendem em outro, e também diante das câmeras. Para Camilla Camargo, este não é um jogo de alternância, mas de simultaneidade. A atriz atravessa um momento em que teatro, streaming e cinema coexistem em plena atividade, compondo uma fase marcada por escolhas diversas, personagens contrastantes e uma agenda que reflete sua maturidade artística e inquietação criativa.
O teatro, base estruturante de sua trajetória, segue como eixo central. Recentemente, a atriz encerrou uma temporada de forte repercussão com o musical “Aqui Jazz”. Previsto inicialmente para uma curta passagem em cartaz, o espetáculo teve apresentações estendidas após a resposta positiva do público, confirmando o fôlego da montagem e a afinidade da atriz com o teatro musical, linguagem que ela explora há anos.
“‘Aqui Jazz’ foi um encontro muito especial. A gente entrou achando que seria uma temporada curta e, de repente, o público começou a voltar, a indicar, a criar uma relação afetiva com o espetáculo. Isso é algo que só o teatro proporciona. Essa troca direta reforçou ainda mais meu vínculo com o musical, que é uma linguagem que exige muito do corpo, da voz e da entrega”, comenta.
Atualmente, Camilla está em cartaz com “Dois Patrões”, em apresentação no Teatro Itália, em São Paulo, desde meados de janeiro. A peça revisita a tradição da commedia dell’arte, atualizando seus arquétipos para o contexto brasileiro contemporâneo. A encenação aposta no humor físico, na interação direta com a plateia e na crítica de costumes, elementos que dialogam com a versatilidade da atriz em cena.
“‘Dois Patrões’ me coloca em um lugar de jogo muito intenso com o público. A commedia dell’arte pede disponibilidade para o improviso. O humor físico, a crítica de costumes, tudo acontece ali, no instante. É um trabalho que exige muito, mas também diverte e provoca, e isso me interessa bastante como atriz”, revela.
Paralelamente ao teatro, a atriz também tem ampliado sua atuação no audiovisual. Camilla está no catálogo do Globoplay com “Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário”, produção em formato de microdrama lançada pela plataforma. O projeto dialoga com novas formas de consumo audiovisual e amplia o alcance de sua presença para além dos palcos tradicionais. Sobre a experiência, ela comenta: “Gosto de experimentar formatos que me tirem do lugar confortável. O microdrama me fez repensar ritmo e intensidade. São desafios que acabam atravessando também o meu trabalho no teatro e no cinema.”
Também no cinema, o horizonte aponta para 2026 como um ano particularmente significativo. Camilla está envolvida em pelo menos três longas-metragens nacionais em fase de lançamento, todos com personagens de naturezas bastante distintas. Em “A Caipora”, assume o papel central de Débora, uma investigadora que transita entre o universo policial e elementos do folclore brasileiro. Em “Coração Sertanejo”, interpreta Bruna, produtora musical inserida no cenário da música sertaneja, em um drama romântico conectado à cultura popular contemporânea. Completa a lista “Pacto Maldito”, filme de terror no qual contracena com Carol Castro, explorando uma narrativa sombria e de forte carga emocional.









