Bianca Andrade: “Antes eu ajudava a construir uma marca. Hoje sinto que estou construindo um legado”

Fundadora da Boca Rosa Beauty fala sobre os 15 anos da marca, a virada de influenciadora para empresária e o que mudou desde que a Boca Rosa se tornou independente

Do quarto na Maré ao primeiro vídeo em 2011, Bianca Andrade lembra bem da insegurança dos primeiros passos. “Eu tinha bastante vergonha, tanto que cheguei a gravar umas três versões do primeiro vídeo até me sentir mais segura”, conta. Na época, gravar a si mesma falando sozinha não era um hábito comum, mas o incentivo veio de perto. “As meninas do Parque União, onde eu morava, me incentivavam, pediam muito para eu trazer os tutoriais em vídeo. Aos poucos eu fui me acostumando, encontrando a minha voz naquele lugar.” A câmera ela já tinha. O resto, segundo ela, foi criando coragem aos poucos. “A cara de pau também”, brinca.

Quando a influenciadora virou empresária

Não houve um estalo único, um dia específico em que a ficha caiu. Para Bianca, a transição foi acontecendo em paralelo ao próprio crescimento da marca. “No começo, eu queria muito criar, estar perto das pessoas e fazer acontecer. Só que, conforme a Boca Rosa foi crescendo, eu comecei a perceber que eu estava me envolvendo em tudo, produto, embalagem, campanha, estratégia, equipe”, relembra.

O momento de virada, segundo ela, veio de uma constatação mais profunda sobre o que realmente queria construir. “A ficha caiu mesmo quando eu percebi que eu não queria só ter o meu nome em um produto. Eu queria construir algo que tivesse a minha visão, que tivesse propósito e que continuasse existindo independentemente de eu estar na frente de uma câmera.” O processo, ela reconhece, não foi fácil. “Foi um processo muito intenso, porque eu precisei aprender muita coisa na prática, errar, tomar decisões difíceis e amadurecer junto com a empresa.”

Síndrome da impostora e a decisão de nunca desistir

Ao longo de 15 anos como empresária independente, Bianca reconhece que o caminho exigiu aprendizado constante, sem atalhos. “A minha curva de aprendizado sempre foi e sempre vai ser muito mais desafiadora. A minha escola é a vida, a minha realidade, as trocas que eu tenho com a minha comunidade”, afirma. “Aprendi muita coisa na marra e precisei recalcular a rota diversas vezes para tomar decisões de negócios cada vez mais estratégicas e assertivas.”

Ela não esconde os momentos de dúvida que vieram junto. “Como mulher, a gente acaba tendo aquela síndrome da impostora de vez em quando. Já tive medo de errar e de perder o que eu conquistei”, admite. Mas desistir, segundo ela, nunca entrou em cogitação.

Um recado para a Bianca de 2011

Ao imaginar o que diria para a versão mais jovem de si mesma, Bianca escolhe celebrar o que ainda está por vir. “Eu diria para ela que esses quinze anos são só o começo. Ainda vamos conquistar muita coisa que nunca pensamos que era possível.” Ela também reflete sobre o que permaneceu intacto ao longo da trajetória. “Fico muito orgulhosa em ver que a minha essência é a mesma, mesmo que o meu contexto de vida e profissional tenham mudado bastante ao longo desses anos.” E fecha com um conselho simples. “Também falaria para ela se divertir no processo, aproveitar e ser grata por cada oportunidade.”

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