No Dia da Visibilidade Trans, a atriz Carol Marra fala sobre sua primeira personagem cis e a luta para que a transgeneridade não seja limitadora

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Carol Marra possui um extenso currículo de trabalhos como atriz, modelo e jornalista. Já esteve no cinema, na televisão, em séries e documentários. Já foi indicada ao Emmy, destaque no The New York Times, e desfilou pelas passarelas das principais semanas de moda do Brasil. Ainda assim, com tanta estrada percorrida, só hoje se vê em um papel mais diferente de sua própria história.

É que Carol interpreta hoje, na novela “Quanto Mais Vida Melhor”, sua primeira personagem cisgênero – diferente de si própria, uma mulher trans. “A grande parte dos personagens que fiz até então eram de mulheres trans. Então, eu contava a minha própria história com outra roupagem, outro cep. E agora eu finalmente faço uma pessoa diferente de mim”, comenta a atriz em entrevista exclusiva à InVoga.

Como a advogada Alice, Carol hoje contracena com grandes nomes da dramaturgia brasileira, como Julia Lemmertz e Giovanna Antonelli. “Geralmente uma novela é gravada em 6 meses, a nossa foi em 1 ano. Isso nos fez criar laços fortes. Ontem mesmo, lá em casa, estava Matheus Solano e Julia Lemmertz para assistirmos a um capítulo. E a Giovanna me deu muitas dicas de atuação, uma cuidava da outra”, relembra.

A estreia em novelas, aliás, trouxe um novo peso pra sua trajetória como atriz. Inclusive na cobrança própria, uma vez que Carol se define com um mulher perfeccionista e controladora. ”Sou geminiana. Eu me cobro muito. Sempre a minha melhor cena era a minha voltando no carro pra casa pensando em como eu poderia ter feito”, admite.

Visibilidade Trans

Carol hoje luta para que a transgeneridade não seja um fator limitador em seu trabalho. Hoje, em seu primeiro papel cisgênero, a atriz revela estar disposta a interpretar qualquer papel. “Eu acho que tem que ter essa representatividade, mas o ator não tem sexo nem gênero. Eu acho ótimo fazer agora um papel de uma mulher cis. Se tiver um papel masculino, posso fazer também. Acho que tem que ter oportunidade pra todo mundo. Não dá pra limitar papel”, exalta.

Tendo iniciado nas passarelas e se tornado embaixadora de grandes marcas, as memórias do mundo da moda, porém, não são as melhores. “. E a moda foi o meio mais preconceituoso que trabalhei. Tanto o que o cinema e a televisão me abraçou, a moda me excluiu. Já fui tirada de desfile, já colocaram a menor roupa pra mim, todo desfile que eu participava virava um grande circo”, revela. A atriz relembra chamadas sensacionalistas em revistas e portais quando ela subia à passarela: “Na minha época não tinha rede social e ainda tinha uma mídia muito sensacionalista que hoje não cabe mais. As pautas eram: modelo trans desfila de biquíni. Oi? Queria que eu desfilasse como, de sunga?”.

Hoje ela reforça que ser uma mulher trans é apenas uma característica de tantas outras que a constroem. E não deveria ser a mais importante. “Eu não quero ser chamada pra trabalhos por minha condição sexual, quero ser chamada pelo meu talento. Não quero ser chamada pelo que tenho no meio das minhas pernas ou deixo de ter”.

No dia da Visibilidade Trans, Carol celebra conquistas como a criminalização da homofobia e transfobia. “Mas ainda estamos longe do ideal de equidade de direito”. Por isso, ela faz questão de relembrar: respeito é fundamental! “Eu espero que as pessoas lancem um olhar de carinho, de respeito, de empatia. A pessoa não merece ser morta pelo fato de ser quem ela é. Que estejamos no caminho de uma sociedade mais justa, mais diversa, mais colorida, porque se fosse tudo igual seria tão chato, né? Vamos celebrar a vida, dar a mão ao próximo”. Vamos, Carol!

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