“VIAJAR É SE DESPIR DE PRECONCEITOS”

O #INVOGAPERSONA desta semana traz Alvaro Garnero que além de se tornar sócio do app "IFriend" este ano, estreia nova temporada do '50 por 1' enquanto vive a paternidade em fase mais madura na vida pessoal profissional

Por: Larissa Barreto

Aos 52 anos, Alvaro Garnero coleciona viagens e experiências ao redor do mundo. E dentro de seu próprio universo pessoal, sua jornada profissional influenciada por seu pai o fez investidor e business man do ramo do turismo e entretenimento, inspirando empreendedorismo em tudo que faz. Ao se tornar pai pela segunda vez – ele é pai de Alvarinho, de 23 anos, e Luma, de 5 meses -, Alvaro afirma quanto as mudanças na rotina este ano: “Durante as viagens eu tento encontrar também com meu filho, que não mora no Brasil e tento ser o mais breve possível por causa da Luma, que ainda não pode viajar muito. Eu quero ser um pai presente para ela.”. Conversamos com o homem que recebeu o título de Embaixador do Turismo do Brasil por sua forma de enxergar nosso país e levar para o mundo – e trazer um um pouco dele para nós, por meio de seu programa ’50 por 1′. Em um novo plano de gestão, a startup IFriend inicia sociedade com Alvaro este ano, agregando e unindo forças com o que ambos tem em comum: criatividade, inovação e paixão por viagens. O viajante acredita na experiência de troca e união entre os povos através da interação cultural agregando valores uns aos outros. “Eu brinco que se a gente de fato conhecesse as pessoas de todos os países não existiria mais preconceito, não existiria mais guerra. Viajar não é fazer maratona em lojas, não é foto para o Instagram. Viajar é se despir de preconceitos: é estar aberto para viver novas realidades.” Confira esse bate-papo inspirador sobre passado, presente e futuro desse homem sempre disposto a levar e trazer o melhor de seu povo e país consigo em tudo que faz!

 

INVOGA –Como alguém ‘bem nascido’, você poderia ter se acomodado, e seguido por caminhos fáceis. Ao invés disso, percorreu o caminho dos negócios e se consolidou como empresário. A que você atrela seu espírito empreendedor?

AG: Ao exemplo do meu pai, que nunca se acomodou. Até hoje, quando podia estar aposentado, aproveitando a vida, ainda faz questão de trabalhar. Iria até ser vergonhoso se eu não trabalhasse com um pai assim.

 

INVOGA: Muitas pessoas dizem que o brasileiro tem o sangue empreendedor. Você concorda? Se identifica com esse perfil?

AG: Eu acho que o brasileiro tem muita criatividade e inteligência. Aprendeu a se virar nos piores momentos e a descobrir maneiras de solucionar problemas de formas não usuais. A gente tem muito mais dificuldade para empreender, mas muito mais criatividade para criar novos negócios.

 

INVOGA – Seu período morando nos EUA, tendo seu primeiro filho lá e concluindo suas formações estudantis. Como a cultura americana impactou em sua vida?

AG: Eu estudei administração num país que é o berço do empreendedorismo. Não tem como não ser influenciado por essa cultura. Os EUA me ensinaram que eu podia investir no que eu gosto, não necessariamente seguir os passos do meu pai no mercado financeiro – foi daí que veio meu investimento no mercado de hospitalidade.

 

INVOGA – Para você, viajar não é somente se deslocar geograficamente de um lugar para outro. Já que enxerga um valor inestimável em conhecer o mundo, outras culturas e formas de viver. O que é, de fato, viajar para você?

AG: Viajar é viver. Estudar, aprender, conhecer e se informar. Eu brinco que se a gente de fato conhecesse as pessoas de todos os países, não existiria mais preconceito, não existiria mais guerra. Viajar não é fazer maratona em lojas, não é foto para o Instagram. Viajar é se despir de preconceitos: é estar aberto para viver novas realidades. E às vezes a gente aprende mais dividindo um almoço com uma família local do que visitando um museu.

 

 

INVOGA – De todos os lugares que você já conheceu, qual mais te marcou e por quê?

AG: Eu gosto de repetir que minha experiência na Mongólia foi inesquecível exatamente porque eu fiquei num acampamento de um clã que me recebeu por lá, aprendi demais, montei minha própria barraca, brinquei com as crianças. Isso é impagável. Das viagens recentes o Camboja me marcou demais, pelo tanto que aquele povo sofreu e mesmo com esse sofrimento eles sabem receber com um sorriso. A África para mim também é sempre uma festa, cada país é uma descoberta nova. Amei a Tanzânia, que conheci em 2019.

 

 

INVOGA – Antes de mostrar o mundo em seu programa, você fez e faz questão de honrar suas raízes brasileiras e, exerce seu patriotismo buscando mostrar o que o Brasil tem de melhor: como foi, para você, ser nomeado Embaixador do Turismo do Brasil pela Embratur?

AG: É uma honra. E para mim é emocionante porque é quase a passagem de um legado. Passei minha vida inteira ouvindo que meu pai era o maior embaixador informal que o Brasil tinha. Agora eu ganhei um título oficial.

 

INVOGA – Trabalhar e obter sucesso no Setor do Entretenimento requer um conhecimento e talento diferenciados, você concorda? Quais são os pontos de atenção para alguém que quer investir no mercado de Entretenimento?

AG: Primeiro gostar do que você faz. Eu gosto do setor de entretenimento e hospitalidade. Eu vou para hotéis e restaurantes e fico reparando na decoração, no serviço, nas inovações. Acho que os três maiores investimentos que o setor tem que fazer hoje são higiene, que é o óbvio por causa da pandemia, sustentabilidade, porque o mundo não aceita mais empresários que não respeitam o meio ambiente e o terceiro é: Coloque seu pessoal num curso de inglês. O Brasil precisa se abrir para o mundo e só vai conseguir isso quando em todo o restaurante, bar, boate, tiver gente capacitada para receber o turista que vem de fora.

 

8 – Como você concilia sua vida pessoal e profissional diante de uma rotina agitada?

AG: A Lou viajou comigo em quase todas as viagens em que gravo para o programa. Ela fez esse sacrifício profissional para me acompanhar e isso é uma das coisas que mais respeito nela. Durante as viagens eu tento encontrar também com meu filho, que não mora no Brasil e, vez ou outra, minha mãe aparece também. Acho importante dividir isso com minha família quando eu passo mais de seis meses viajando por ano. Hoje as viagens mais longas devem ficar para 2021, mas ainda preciso me ausentar por causa dos negócios. Tento ser o mais breve possível por causa da Luma, que ainda não pode viajar muito. Eu quero ser um pai presente para ela.

 

INVOGA – Como foi se tornar pai pela segunda vez, em um intervalo de 24 anos entre um filho e outro, ainda mais, tendo uma menina desta vez? Você concorda que o papel de pai também é uma forma de empreender e investir na vida?

AG: Ao mesmo tempo que eu tenho uma maturidade que eu não tinha quando nasceu o Alvarinho, também tem uma coisa de aprendizado, de novidade, porque agora é uma menina, as dinâmicas são diferentes. Eu achei que ficaria mais calmo no momento do parto, mas nada disso. Quem estava calma era a Lou. Meu coração estava à mil. Ser pai é um ato de coragem sempre. No mundo de hoje, mais ainda. Mas só ver a Luma dar um sorriso que a coragem vem fácil.

 

INVOGA – A plataforma IFriend veio para fortalecer a importância do turismo como negócio e não apenas lazer, e você assumiu a sociedade dessa plataforma especializada na conexão entre viajantes e profissionais ao redor do mundo. Como surgiu a ideia deste app (IFriend)? Acredita que seja uma ferramenta capaz de revolucionar a forma de fazer turismo principalmente após a pandemia?

AG: A ideia foi democratizar a experiência do turismo. Quando não só o guia, mas a dona de casa, o filho do padeiro, a estudante de música, todo mundo daquela comunidade enxerga o lugar que vive como um lugar turístico, que merece ser conhecido, esse lugar é melhor preservado. E mais gente estuda sua história. A gente aumenta o orgulho e o respeito pelo lugar. Não acho que o IFriend vai revolucionar o turismo pós-pandemia. Acho que o IFriend vai revolucionar o turismo no geral.

 

INVOGA – Como praticar turismo consciente ao redor do Brasil enquanto a vacina do Covid não chega? Como avalia a retomada do setor?

AG: Máscara, álcool gel, respeitando distanciamento social. Não dá para ficar fazendo baladas super cheias. Tenha seu grupo para se divertir, sua bolha. A vacina está chegando e já já passa.

 

INVOGA- Ainda sobre turismo. A nova temporada do 50 por 1 será totalmente focada em destinos brasileiros, certo? Nos conte como tem sido percorrer nosso território? Por onde já passou? O que podemos esperar dessa nova temporada?

AG: Essa era uma vontade que eu tinha há tempos e aproveitei esse ano para isso. Por enquanto gravamos em Angra e Ilha Grande e na Rota das Emoções, percorrendo Ceará, Maranhão e Piaui.

E vocês podem esperar o paraíso. Porque o Brasil é o paraíso do mundo.

 

INVOGA – Quais as principais dicas você daria para uma pessoa que deseja empreender? Quais as atitudes essenciais para uma pessoa ter sucesso em seu investimento e negócio?

AG: Ter um plano bem desenhado. Tudo bem que seja seu sonho, mas sonho não se materializa sem plano, sem estudo, sem esforço. Trace muito bem seu plano, pense muito bem nos prós e contras, prepare-se para tudo (até para uma pandemia, 2020 nos ensinou isso) e siga quando você estiver certo que seu plano convence qualquer um.

 

INVOGA – Qual aprendizado como empreendedor você teve em algum outro país ou cultura?

AG: Empreendimento não é aventura. Faça o que você faz bem e ame o que você faz. Isso é ser racional e usar o coração ao mesmo tempo. Na minha última viagem a Portugal, na região do Porto vi dois grandes exemplos disso. No Porto, conheci o Cantinho das Aromáticas, um pequeno sítio urbano que o Luís Alves mantém para produzir ervas, verduras, flores orgânicas e mostrar que é possível fazer agricultura responsável dentro de uma cidade. Lá ele tem uma loja de produtos do próprio sítio e também faz workshops para que as pessoas aprendam com o exemplo dele. É coisa linda de ver. Virou ponto turístico. A 50 km dali, numa vilazinha chamada Paredes, fica o Cozinha da Terra, restaurante da dona Tereza Ruão. Dona Tereza só sabe fazer duas coisas na vida: cozinhar e ser maravilhosa. Mas ela cozinha como nenhuma outra pessoa que eu conheci na vida. Está no panteão de melhor cozinheira dessa galáxia. Junte isso com o fato dela ser uma simpatia. Dona Tereza adaptou sua casa para virar um restaurante. Você tem que tocar a campainha para entrar, nem sempre tem mesa. Mas vale esperar, vale tudo. Melhor restaurante de Portugal, quiçá do mundo. Ela é apaixonada por aquele cantinho dela e joga toneladas de amor em cada prato que cozinha, faz tudo sozinha, só tem uma ajudante. Quem conhece o volume de amor do Cozinha da Terra, não tem o que fazer senão amar de volta.

 

INVOGA – O que mais te encanta em nosso país como turista? Imaginando que fosse apenas visitante, o que é o melhor do país, do brasileiro e de sua cultura?

AG: Nossa alegria. É o que eu vejo, é o que eu ouço de quem visita o Brasil. Ninguém esquece da nossa alegria.

 

INVOGA – Se você pudesse resumir nosso povo em uma palavra, qual seria?

AG: Inacreditável – porque é o adjetivo que eu mais uso. Nosso povo é inacreditável pela alegria, resiliência e capacidade de superação.

 

INVOGA – Em sua trajetória profissional, quais foram seus maiores erros e acertos como empreendedor? O que você diria a si mesmo se tivesse a oportunidade de encontrar com o Álvaro do passado?

AG: Os erros sempre acontecem quando não há um balanço entre coração e a razão. Se eu pudesse dar um conselho para o Alvaro do passado seria: Percorra o caminho do meio, sempre.

 

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