GUTO REQUENA – A ARTE DA EMPATIA

Com o olhar no outro, nos movimentos orgânicos das grandes cidades e nas pequenas interações interpessoais, Guto Requena encontra na empatia uma forma de construir um elo entre arte e amor. Nascido em Sorocaba, interior de São Paulo, o artista visual fundou em 2008 o Estúdio Guto Requena e, desde então, coleciona prêmios, já palestrou e expôs suas obras em mais de 20 países, buscando tornar seu trabalho um manifesto contemporâneo a favor do ativismo artístico.  

“Gosto de dizer que também sou ativista do amor”. 

Além de arquiteto e designer, ativista da empatia. É assim que Guto Requena gosta de se autointitular. É através dela e por sentimentos como esse que ele investiga novas possibilidades trazidas do mundo digital, pelos meios interativos, para tentar criar novos experimentos em diferentes escalas e produtos e, assim, poder mostrar que tecnologia não é só algo frio, que afasta, mas que pode e deve aproximar as pessoas. “Deveria nos ajudar a sermos seres melhores, construindo cidades melhores, ambientes melhores, mais fraternos, mais amorosos, então é dessa maneira que meu projeto vem se desenvolvendo”, explica.  

“Estou muito interessado nesses cruzamentos de design com ativismo”.  

Guto usa a força de seu trabalho e as ferramentas que o design oferece para falar – algumas vezes, até sem usar palavras – sobre questões de ativismo que o interessam. Em setembro deste ano, a Praça da República, no Centro de São Paulo, recebeu a intervenção “Meu coração bate como o seu”, assinada pelo designer, que homenageia os 40 anos do ativismo LGBTQ+ no Brasil. Dentro da obra, que coloriu o espaço, caixas de som tocam trechos de falas de ativistas coletadas por Guto e, durante a noite, luzes são acesas e pulsam no ritmo do batimento cardíaco. “É uma obra que, para além de ser um banco para sentar, também busca emocionar as pessoas”, comenta o artista, sempre interessado em investigar como as tecnologias adicionadas na superfície das cidades podem criar novas experiências empáticas. “Novas tecnologias adicionadas para trazer novas camadas de poesia na cidade”, ressalta. 

Outro projeto desenvolvido este ano, chamado “Empatias mapeadas”, é um pavilhão, uma escultura paramétrica e vazada, onde as pessoas podiam entrar, sentar e participar, já que um sensor captava os batimentos cardíacos na ponta dos dedos de cada um e os transformava em sons e luzes. “Ele tem uma cobertura, pode te proteger da chuva, ser um ponto de ônibus, um objeto numa praça, mas, para além de sua funcionalidade, estimula a empatia entre pessoas que não se conhecem, numa experiência imersiva e interativa”. 

Empatia é sentir com o coração do outro.  

“Ando pesquisando como acontece a empatia e li essa frase que me tocou muito”, lembra Guto, que se diz atiçado, obcecado com a possibilidade de criar experiências em que as pessoas se olhem, tenham alguma intimidade e, por que não imaginar que esses móveis que ele está espalhando pela cidade possam estimular novas amizades? “Empoderar as pessoas no sentido de se sentirem maiores, melhores e mais amorosas”, enfatiza. Para Guto, a cidade do futuro não é apenas pensá-la de maneira tecnológica, mas sim a partir de um lado mais fraterno. “Isso, para mim, é a cidade do futuro, e é o que eu estou tentando construir”. 

 

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