QUEM FAZ SUAS ROUPAS – FASHION REVOLUTION POR FERNANDA SIMON

Revolução fashion: ativar!

Quem faz suas roupas? Este é o questionamento que move o Fashion Revolution, um movimento global que repensa nossa forma de produzir, consumir e descartar o look nosso de cada dia. Fernanda Simon, diretora do projeto no Brasil, conversou com a Invoga sobre o impulso consciente e sustentável que avança no mundo da moda. 

O vestir está intrinsecamente ligado à expressão. O que você quer comunicar com seus looks, que mensagem deseja passar? Mas, ao escolher determinada peça de roupa, além de manifestar nossa identidade, estamos carregando conosco a história de quem a fez e os processos pelos quais ela passou para chegar até nosso guarda-roupa. E, se você ainda não passeia por esses questionamentos e não estabelece uma relação profunda e responsável com a moda, o movimento global Fashion Revolution acredita que está mais do que na hora de começar. “Expandir essa consciência de consumo, sobre os impactos ambientais e sociais que estão escondidos em nossas roupas é o nosso maior objetivo”, diz Fernanda Simon, diretora do projeto no Brasil. 

Novos tempos 

Em 2013, o Rana Plaza, em Bangladesh, desabou e matou mais de mil pessoas. No edifício, funcionavam confecções com baixa estrutura e suporte, mas que fabricavam roupas nas quais eram aplicadas etiquetas de grifes internacionais. “A partir desse episódio, profissionais da moda e da sustentabilidade se uniram para evitar que situações como essa se repetissem e, assim, nasceu o movimento Fashion Revolution”, conta Fernanda. Presente em mais de 100 países, ele chegou há quatro anos ao Brasil unindo forças com órgãos importantes, como Ministério Público do Trabalho, prefeituras, Sebrae e universidades, para que toda a cadeia fashion seja modificada, tendo como base o respeito ao próximo e ao ecossistema. 

Todos os anos, os eventos promovidos pelo grupo, que acontecem em diversas cidades, recebem mesas-redondas que abordam temas relacionado a esse universo com o objetivo de propor e discutir soluções para o consumo sustentável. “Temos mais de 47 representantes e vários estudantes-embaixadores. Este ano, a campanha esteve em 80 faculdades brasileiras. A cada ano, ele cresce e incentiva que nós perguntemos: quem fez minhas roupas?”. Estes números mostram o nível de consciência que se estabelece cada vez mais no consumidor e no produtor do país, apesar de essa ainda ser uma preocupação recente. Para Fernanda, é uma transformação a longo prazo, “que pode não parecer significativa no momento, comparando com a quantidade de peças que ainda produzimos e descartamos, mas as sementes já foram plantadas e estão brotando”, acredita. 

Alguns pontos auxiliam a reverberar a ideologia. “A grande mídia se pautar pelo assunto, as faculdade levarem para a sala de aula, os fabricantes buscarem materiais mais ecológicos e o impulsionamento de modelos de negócios sustentáveis fazem parte dessa mudança sistêmica que buscamos”, conta. 

Será que minha roupa é do bem? 

“Saber quem faz suas roupas é determinante para um consumo consciente”, Fernanda ressalta. Mas envolve ainda as questões diretamente ligadas à natureza. Uma das indústrias que mais polui precisa se voltar para seus impactos, desde a extração da matéria-prima, ao uso da água, de agrotóxicos utilizados no cultivo de algodão, passando pela produção da fibra, do tecido, e, ao final, da roupa. É importante entender que o processo não acaba aí. O uso doméstico e o pós-uso, com foco no descarte, também geram um abalo ambiental. “Muitas roupas que vestimos vão parar em aterros sanitários quando elas ainda poderiam ser usadas. Quando formos comprar, temos que olhar a etiqueta, ir atrás das marcas exigindo processos mais éticos, mais transparência. Temos, em nossas mãos, muito poder quando fazemos escolhas mais conscientes”. 

 

Brasil Eco Fashion Week: 

A facilidade de encontrar roupas a preços acessíveis, mas sem consciência ambiental, é inegável. Democratizar o acesso a marcas ecofriendly e levar seus trabalhos a um maior número de pessoas possível definem a Brasil Eco Fashion Week, primeira semana de moda exclusivamente sustentável do país. Fernanda é parceira do evento, que teve sua segunda edição este mês. “Procuramos fomentar negócios e conquistar o público com showrooms de marcas conscientes e engajadas, desfiles, palestras e workshops gratuitos.” 

Fernanda Simon dá três dicas para você começar – já! – a mudar sua relação com a indústria fashion. E nós, da Invoga, te damos mais duas de brinde.  

– Repense seus hábitos e escolhas de forma geral. A questão de consumo de água, energia e do alimento. “Analise o que você come, consome, onde compra, quanto descarta, quais as relações de trabalho estão ao seu redor. Se abrir para novas possibilidades e ter uma visão mais ampla e crítica do nosso ecossistema”. 

– Busque informação sobre as marcas que você gosta. Tire dúvidas, questione os processos e suas origens. 

– Mude as roupas que você já tem. Cansado daquela velha calça jeans? Sabia que para produzi-la, cerca de 11 mil litros de água são utilizados? Melhor dar uma nova cara para a peça. Adaptá-la ao estilo destroyed, transformar em short ou fazer aplicações te dão uma nova roupa. 

– Fortaleça as marcas locais. Em sua maioria, as pequenas brands são autorais, garantindo personalidade única à peça, além de uma relação próxima entre estilista/produtor e consumidor final. Outro ponto positivo: ajudar o mercado regional a crescer. 

– Ou, siga o conselho de Vivienne Westwood: pare de comprar. “A maior dica de consumo consciente é essa. Encontre maneiras de encontrar o que você já tem, troque com amigos, frequente bazares de troca e cuide bem das roupas que já estão com você”, orienta Fernanda. 

Acompanhe a Fashion Revolution nas redes sociais e participe com as hashtags: #quemfezminhasroupas #fashionrevolutionbrasil 

@fash_rev_brasil www.fashionrevolution.org/south-america/brazil/

TEXTO: GABRIELA ROCHA
FOTOS: IAGO ALENCAR

Seja o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.