ATIVISTA EM TEMPO INTEGRAL, LUISA MELL FALA SOBRE A LUTA DIÁRIA EM PROL DOS ANIMAIS NA EDIÇÃO 38 DA INVOGA

Luisa Mell tem uma bandeira e, se você não sabe qual é, talvez não tenho vivido no planeta Terra nos últimos anos. Ativista em tempo integral da causa animal, a ex-apresentadora do Late Show – extinto programa que comandava na Rede TV! – encontrou na luta a favor do bem-estar dos bichinhos a missão da sua vida. Corajosa, a loira não esmorece em meio aos desafios intrínsecos da luta pela qual batalha, e com seu Instituto Luisa Mell fortalece seu discurso através de ações que legitima seu amor incondicional pelos animais. 

Dedicar a vida à causa animal é um ato altruísta, cercado de recompensas afetivas e emocionais, mas que também traz muitos desafios. Luisa Mell que o diga. Após perder um contrato recém-assinado com uma emissora de televisão brasileira, ela mostrou a seus seguidores e admiradores o preço que se paga por lutar pelo que acredita. Em entrevista, ela explicou que o motivo foi comercial, pois sua causa bate de frente com muitos interesses. “A gente está em uma sociedade toda baseada na exploração animal. Tanto na indústria alimentícia, como na área de cosméticos, na moda. Lutar contra isso e querer mudar esse paradigma é bem difícil”, ressalta. 

Apesar de a conscientização em prol da causa estar se fortalecendo mundo afora, impulsionar esse movimento exige dedicação e uma dose de teimosia, pois ainda não se naturalizou de uma maneira satisfatória na sociedade que os animais fazem parte do todo. “É muito complicado mudar os hábitos das pessoas, coisas que elas acreditam como verdade absoluta. Mudar o pensamento é muito difícil”. Mas a esperança de Luísa é o que a move e, fazendo um trabalho de formiguinha, ela segue hasteando sua bandeira por onde passa, contagiando com sua determinação e convocando cada vez mais pessoas para a construção de um mundo mais igualitário e justo para todos o seres. “Qualquer pessoa tem algo para dar. Às vezes é dinheiro para doar a uma ONG, outras é tempo para ser voluntário, ou, até mesmo, para ajudar em um resgate, levar ao veterinário, castrar, vacinar, cuidar, oferecer lar temporário, enfim, o importante é fazer sua parte.” 

Os laços 

Em 2002, estreava na RedeTV! o Late Show, um dos primeiros programas dedicados à causa animal e que tinha LuisaMell como apresentadora. Apesar de sempre gostar de bichos, foi no momento de sua primeira matéria, sobre o Centro de Controle de Zoonose de São Paulo, que ela entendeu sua missão. “Naquela época, os animais eram sacrificados três dias depois de serem capturados. Quando entrei naquele corredor da morte, diversos animais me pediram socorro. Eu não pude salvar nenhum naquele dia, mas jurei que dedicaria minha vida a mudar aquilo, a salvar outros”. A luta continua, mas uma vitória significativa a marcou. Há 10 anos, foi implementada uma lei que proíbe a prática de matança e caça de animais de rua. “Os animais são minha vida. Me dedico a salvá-los e conscientizar as pessoas de que eles não são inferiores a nós”, emociona-se. 

A Transformação 

Toda transformação é precedida por um fato significativo que promove reflexão coletiva. Segundo Luísa, não foi diferente com a causa animal. Para ela, a mudança de pensamento da sociedade brasileira em relação a essa problemática se deu com o caso do resgate dos cachorros da raça Beagle, que, de acordo com a ativista, foi um momento histórico no Brasil. “Houve vários resultados importantes com esse resgate. Obviamente e primeiramente, o bem-estar dos animais que salvamos diretamente com a ação, mas acho que, principalmente, tivemos o despertar da sociedade brasileira”, revela. O movimento já tinha destaque em outros países, mas o Brasil continuava testando produtos e remédios em animais e, após o episódio, as empresas entenderam a necessidade de abandonar práticas industriais que cometiam atos de crueldade contra os animais. Algumas chegaram a receber o selo internacional Crueltry Free (em português, livre de crueldade e testes em animais). “Sempre falo: é a pressão do consumidor que consegue transformar as empresas. Com a atenção dele voltada para isso, elas passaram a investir em métodos alternativos, e tenho certeza de que ainda colheremos muitos frutos daquela ação”. 

A ursa que era triste 

Quando se fala ou pensa em resgate de animais maltratados, geralmente só lembramos de cães e gatos, afinal, eles ainda são a maioria. Mas, segundo Luisa, nossa atenção e desejo de proteger deve estar voltada para esse cenário de uma forma mais abrangente. Recentemente, o Instituto Luísa Mell resgatou a ursa Marsha, conhecida como a mais triste do mundo. “Ela é uma espécie de urso siberiano, feito para viver em lugares de temperaturas baixas, e fomos ao seu encontro no Piauí, um lugar muito quente”. Após três dias de transferência, ela chegou a Joanópolis e, hoje, vive nas instalações do instituto com muito frescor e tranquilidade. “Ela vinha de um circo e já tinha passado por muito sofrimento. E o fato de ser um animal idoso complicou ainda mais operação, pois não podíamos anestesiá-la. Mas a gente foi conversando com ela, e Marsha entendeu tudo”. 

A materialização de uma causa 

Fundado em 2015 e localizado no interior de São Paulo, o Instituto Luisa Mell, que se dedica a não só resgatar animais em situação de risco, como a promover iniciativas que estimulem e fortaleçam a causa. O lugar possui um abrigo com mais de 300 bichinhos, entre cachorros e gatos, resgatados da rua, de casas onde eram maltratados ou de canis, e por uma loja. Quer ajudar? O instituto aceita doações em dinheiro, disponibiliza produtos para a venda (canecas, calçados, camisetas e pelúcias com a logo do projeto), e, o mais importante, você pode adotar um amigo em uma das diversas feiras realizadas.

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